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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Batalha do Pacífico (2013)



"Um grupo armado com robôs gigantes enfrenta monstros alienígenas saídos de um portal no fundo do Pacífico" é, basicamente, a premissa deste filme. Pode não parecer muito original e, sejamos honestos não o é. Porém, não é por isso que deixa de ser um dos filmes que mais me entusiasmou nos últimos tempos.

A história em si não é particularmente interessante, segue a estrutura geral comum à maior parte dos filmes de acção. Mas é a construção do universo, a sensação de que existe um mundo muito além do que nos é mostrado e uma história passada rica o que verdadeiramente nos conquista neste filme. Já há muito que um filme não me puxava tanto para o interior do seu universo ficcional. Tivesse eu mais tempo, mergulharia de bom grado no (pouco) material de universo estendido que existe.

As personagens estão bem construídas e são bastante distintas, com personalidades bem vincadas, o que vai ao encontro aos filmes e, principalmente, das séries de animação em que se inspira

E não se pode falar neste filme sem falar nos efeitos especiais e nas cenas de acção, capaz de transformar qualquer um que tenha crescido com, digamos, "Saber Rider", "Power Rangers" ou "Voltron" outra vez numa criança colada à televisão à espera que o seu robô favorito execute o seu "signature move".

Não sendo brilhante nem indispensável, "Batalha do Pacífico" é um dos filmes mais divertidos que vi em 2013 e fará as delícias de qualquer um que tenha crescido com as séries animadas de robôs gigantes ou com "Tokusatsu ".

sábado, 21 de dezembro de 2013

O Hobbit: A Desolação de Smaug (2013)


Novamente, a minha única visita ao cinema do ano foi para ver mais um dos filmes da trilogia "O Hobbit". Não dou o tempo nem o dinheiro por perdido, se bem que devo confessar que preferi o filme anterior (cuja versão estendida vi pouco antes da minha ida ao cinema).

Visualmente, o filme é irrepreensível e penso que nesse aspecto supera até a trilogia de "O Senhor dos Anéis". Das fantásticas paisagens ao colossal Reino Debaixo da Montanha, passando pela cidade dos elfos e Esgaroth, tudo forma um cenário épico além de tudo o que me lembro de ver em cinema. E o mesmo pode ser dito da banda sonora e dos efeitos especiais. E, como na trilogia de "O Senhor dos Anéis", a atenção prestada aos detalhes cria um mundo de tal forma realista que nos puxa eficazmente para dentro da história.

Porém, pelo menos para mim, o grande defeito estava no guião, em particular no excesso de cenas de luta. Estas estavam bem feitas, se bem que tinham alguns momentos um poucos exagerados, e possuíam um sentido de humor muito próprio, mas tomavam de tal forma conta da narrativa que esta mais parecia uma sequência de lutas interligadas do que uma história. Também não gostei particularmente do final. Embora não seja particularmente difícil de deduzir, mesmo para aqueles que não conhecem o livro, o que vai acontecer a seguir, gostava que este filme tivesse tido um melhor fecho, como o filme anterior.

Apesar dos elementos que não apreciei no filme, divertiu-me imenso. Que mais não seja, merece ser visto pela maneira como explora e expande a versão cinematográfica Terra Média. Se são fãs de fantasia épica, é um filme a não perder.

domingo, 20 de janeiro de 2013

O Hobbit: Uma Viagem Inesperada (2012)


Sendo eu um grande fã dos três filmes da trilogia "O Senhor dos Anéis" (já os vi incontáveis vezes), para não falar dos livros, fui ver este filme ao cinema assim que pude. No geral, não desilude, mas confesso que não me entusiasmou tanto como os filmes de "O Senhor dos Anéis".

O tom deste filme é bem diferente, mais ligeiro e cómico, do da trilogia original, o que, para mim, tornou o filme menos envolvente e não me permitiu transportar para a Terra Média com tanta facilidade, embora melhore na segunda parte. Mesmo visualmente, existem diferenças notáveis quando comparado com a trilogia, o que arruína a ilusão de continuidade. Dito isto, os efeitos especiais estão brilhantes, provavelmente melhores que os de "O Senhor dos Anéis", e o filme está recheado de momentos memoráveis que se repetiram na minha cabeça durante vários dias depois de o ver.

A história, por seu lado, pareceu-me bem contada e, ao contrário do que eu receava, dado que "O Hobbit" é um livro relativamente pequeno, e sendo este filme apenas a primeira parte, não pareceu "esticada" nem recheada com palha. De facto, pareceu-me que este filme tinha menos cenas de paisagens que os filmes anteriores (não que eu me queixe quer de uma forma quer de outra).

A maior desilusão do filme, para mim, foi a banda sonora. Embora criada por Howard Shore, o mesmo compositor que trabalhou na trilogia "O Senhor dos Anéis", não a achei, nem de perto nem de longe, tão memorável. Porém, isto talvez se deva à estrutura do filme, que não se presta tanto ao uso de "leitmotifs".

No geral, não gostei tanto deste filme como dos três de "O Senhor dos Anéis", e atrevo-me até a dizer que não é um filme tão bom. Por outro lado, é extremamente divertido de ver, e junta-se sem dúvida à lista dos melhores filmes de fantasia de sempre. Um filme obrigatório para todos os fãs de fantástico, mas que, devido ao seu conteúdo mais ligeiro e cómico e às inúmera cenas "over the top" agradará também não fãs.


sábado, 11 de agosto de 2012

O Cavaleiro das Trevas Renasce (2012)



Por várias e, aqui, irrelevantes razões, já há mais de um ano que não entrava numa sala de cinema. Porém, estou agradecido que me tenham convencido a quebrar esse período de jejum para ir ver este último episódio da trilogia do Batman de Nolam.

Pode não ter uma personagem tão memorável ou marcante como o Joker, mas ainda assim é o meu favorito dos três filmes (embora os outros dois não fiquem muito longe). A história, fora uma ou outra decisão mais discutível, está bem escrita e possui um fio condutor mais sólido que o do filme anterior, o que ajuda o público a sentir-se mais envolvido e faz com que as mudanças de acto (em especial a mudança do primeiro para o segundo) tenham um maior impacto emocional.  As interpretações são também interessantes, em especial a Catwoman de Hathaway e o Bane de Hardy (esta última uma das personagens mais memoráveis da série, mas que o consegue sem roubar todo o filme, como o Joker). Como competia ao filme que fecha a trilogia, este é o mais épico dos três, da história, à banda sonora, à escala de algumas cenas e até aos detalhes da cidade (vemos mais de Gotham no Cavaleiro das Trevas Renasce que nos outros dois filmes juntos).

Como não podia deixar de ser, existem aqui várias referências à banda desenhada, em particular às sagas "Knightfall" e "The Dark Knight Returns", até porque o guião incorpora elementos de ambos.

Este será, na minha opinião, um filme que agradará tantos a fãs da BD como a como a não fãs. Um dos filmes indispensáveis de 2012.

sábado, 2 de junho de 2012

Programa do colóquio sobre drácula e a literatura gótica já está disponível


Já está disponível o programa provisório do colóquio "Dracula and the Gothic in Literature, Pop Culture and the Arts" a decorrer no fim deste mês na Universidade do Minho. Podem encontrá-lo aqui.

sábado, 26 de maio de 2012

Conan, o Bárbaro (2011)


Foi com algum receio que comprei o dvd deste filme. Mesmo depois de o comprar, demorei quase dois meses a decidir investir o meu tempo a vê-lo. Felizmente, não dou esse tempo por perdido. Não que seja um bom filme. Mesmo dizer que é razoável parece-me um exagero. Contudo, penso que, em vários aspectos, é exactamente aquilo que devia ser.

Do filme do Conan de 1982 pouco tem. De facto, na minha opinião, o Conan de Jason Momoa está mais próximo do das histórias originais de Robert E. Howard que do Conan de Arnold Schwarzenegger ou daquele que aparece nas inúmeras adaptações para BD. Porém, as semelhanças ficam-se por aí, pois este filme não se baseia em nenhuma das histórias originais. De facto, o argumento não passa de uma história de fantasia genérica em que o protagonista se chama Conan mas se podia chamar qualquer outra coisa sem fazer nenhuma diferença.

Só quando posto lado a lado com as numerosas produções de "Sword and Sorcery" dos anos oitenta é que este filme mostra alguma valor (para aqueles demasiado jovens ou alheados da cena do cinema fantástico da altura, depois do sucesso do Conan o Bárbaro de 1982 surgiram inúmeros imitadores). Dessa perspectiva, temos tudo o que devíamos ter: vilões genéricos, feiticeiros malvados, uma demanda (e por vingança, ainda por cima), objectos mágicos, monstros, cenas de batalha exageradas, impossíveis, estúpidas, ridículas até, mas bastante divertidas de ver. Nem sequer faltam as cenas de nudez gratuita da praxe.
Honestamente, a única coisa que falta é aquele aspecto de produção com baixo orçamento, pois os efeitos especiais são, fora uma ou outra ocasião, competentes e os cenários chegam até a ser memoráveis.

Em resumo, como obra de cinema, este filme falha redondamente. De filme do Conan, pouco tem. Mas, se pensarmos nele como um tributo aos filmes de "Sword and Sorcery" dos anos oitenta, tem os seus méritos e, só por isso, até merece ser visto pelos fãs do género.


sábado, 7 de abril de 2012

Ben-Hur (1959)


Estamos na Páscoa. Como alguns de vocês certamente já saberão, isso significa que a adaptação de 1959 do romance Ben-Hur irá ser transmitido num qualquer canal de televisão.

Este é um filme que, infelizmente, afastará à partida uma boa parte do público actual, quer pela sua acentuada mensagem religiosa, quer por ter sido há muito banido, pelo menos na mente dos espectadores, para aquele que eu considero ser um dos mais estúpidos guetos culturais de sempre: o dos filmes antigos.

O que é uma pena, pois trata-se de um dos mais espectaculares filmes que alguma vez saiu de Hollywood. Tem uma história sólida, cheia de nuances, personagens interessantes, desempenhos excelentes de actores históricos, cinematografia brilhante, guarda roupa espectacular, cenários à frente do seu tempo, banda sonora memorável e inúmeras cenas inesquecíveis (e não me estou aqui a referir-me apenas à famosa corrida de quadrigas). Não é coincidência que, durante décadas, tenha sido o único filme a receber onze Óscares (e, mesmo hoje, partilha essa honra apenas com "O Regresso do Rei" e "Titanic"). É um dos melhores filmes épicos de sempre, anos luz à frente de muitos "épicos" que Hollywood nos tem tentado impingir desde o sucesso da trilogia "O Senhores do Anéis" (ou até mesmo desde o sucesso de "Braveheart").

Este foi um dos primeiros filmes que me lembro de ver (dobrado em espanhol, por sinal, já que com cinco anos ainda não tinha agilidade suficiente para ler legendas) e influenciou (e continua a influenciar) não só a forma como olho para o cinema, mas também como olho para a arte de contar histórias.

Se nunca viram este filme, abandonem os vossos preconceitos e hoje, às 22:40, liguem a televisão na RTP2. Se, como eu, já o viram dezenas de vezes, não percam a oportunidade de o ver outra vez. É sempre uma experiência fantástica de que eu duvido que alguma vez me vá cansar.


sábado, 3 de março de 2012

O Preço da Cultura

Estou neste momento à espera que abram as inscrições para um curso gratuito sobre a história de Braga. Entretanto, leio o programa cultural da cidade para este mês. Ao ver as diversas ofertas gratuitas e/ou a baixo preço, lembrei-me da recorrente queixa de que a cultura em Portugal é cara. Eu, porém, pelas experiências que tenho tido, não posso concordar. Vejamos, então:

Nos últimos três anos, assisti a dezenas de sessões gratuitas de cinema, onde se mostrou de clássicos de Hollywood a filmes independentes de todo o mundo e até um ou outro blockbuster recente.
No ano passado, entre as feiras do livro de Braga e Viana do Castelo, comprei onze livros (ficção e não ficção) e gastei apenas dezoito euros (sim, menos de dois euros por livro). Assisti ao festival internacional de música "folk", que era de entrada livre. Visitei ou revisitei mais de uma centena de monumentos nacionais (e alguns no país ao lado), muitos deles recheados com arte de diversas expressões.
E já perdi a conta ao número de exposições a que fui. Só esta semana vi três pequenas mostras de arte. E só não assisti a uma leitura de "Ifigénia em Áulis" de Euripides (também grátis) devido a uma dor de cabeça inesperada.

E estes exemplos são apenas aqueles de que me lembro neste momento. Haverá muitos outros. Isto para não falar de outros recursos culturais gratuitos, como as bibliotecas municipais ou o canal de televisão de sinal aberto rtp2 (onde passam inúmeros programas culturais, documentários, séries de qualidade e cinema de todo o mundo). E se pensar, então, em recursos online (LEGAIS) estava aqui o dia todo para listar os links.

Dados todos estes exemplos de cultura gratuita/baixo custo, não consigo, em boa fé, concordar com a ideia de que a cultura em Portugal é cara.

Mas porque subsiste, então, esta queixa? Será apenas mais uma das incontáveis queixas que as pessoas repetem sem pensar? Haverá falta de divulgação das fontes de cultura acessíveis? Terá chegado à cultura a popular, mas a meu ver falaciosa, ideia de que o preço é proporcional à qualidade? Ou os queixosos, quando pensam em cultura, lembram-se apenas dos livros/filmes/espectáculos/etc... da moda no momento (esses sim, geralmente caros) e esquecem (ou desprezam) os eventos/artistas/produtos menos conhecidos e os milénios de produção cultural a que hoje temos acesso a baixo custo?
O que acham?

domingo, 22 de janeiro de 2012

Star Trek XI (2009)

AVISO: Contém spoilers.

Um reboot da série original que inicia um universo alternativo, este filme marcou o regresso do franchise Star Trek, depois da última série, a menos bem sucedida Star Trek: Enterprise, ter sido cancelada.
No geral, é um filme que aprecio bastante, apesar de ter aquele aspecto típico dos blockbusters americanos. Tem um enredo sólido, se bem que não é especialmente original ou surpreendente (mas faz imensas referências às séries de tv, uma delícia para os fãs), efeitos especiais de grande qualidade (algo a que o franchise já nos habituou à bastante tempo) e uma banda sonora simplesmente fenomenal.
Apenas duas partes do filme me deixaram algum dissabor. A primeira foi a cena em que o Kirk, o Sulu e um "Red Shirt" se lançam de para-quedas sobre os inimigos, pois despertou-me a repulsa que sinto pela prática comum em filmes americanos de tornar os filmes "radicais". A segunda foi o encontro entre o Kirk e o Spock vindo do futuro simplesmente pela muito improvável coincidência. Kirk não só caiu no mesmo planeta onde se encontrava Spock (o que até é explicável dentro do contexto do filme), como na mesma parte do planeta (o que já é mais difícil de explicar).

Penso que é um filme que agradará aos fãs do franchise (se bem que estes terão que se ajustar um pouco, já que Star Trek XI se foca mais na acção e menos no argumento, exactamente o contrário das séries e filmes anteriores) com as suas inúmeras referências à história canónica do universo, mas que não deixa de fora os restantes espectadores, até porque aqui o enredo e os sentimentos que o filme invoca estão mais próximos dos "blockbusters" "mainstream" do que em qualquer Star Trek anterior.
Fico curioso para ver como a história deste universo alternativo se desenvolverá no futuro. Infelizmente, ainda tenho muito que esperar, pois o próximo filme tem estreia marcada apenas para Maio de 2013.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Solomon Kane (2009)


Esquecendo as inevitáveis diferenças que existem entre o Solomon Kane do filme e dos contos de Robert E. Howard, atrevo-me a dizer que este é um dos melhores filmes "pulpish" dos últimos anos. Não que seja um marco da história do cinema ou sequer um grande filme, mas, na minha opinião, encontra-se bem acima de outros mais conhecidos dentro do género, como "Clash of the Titans" ou "Van Helsing". A história não é excepcional, se bem que é mais do que a usual desculpa para colar as diferentes cenas de luta e/ou efeitos especiais, e permite desenvolver os dois elementos que realmente distinguem este filme dos outros do género.
O primeiro destes elementos é o desempenho de James Purefoy como Solomon Kane, provavelmente o melhor trabalho que já vi dele. Purefoy mostra-nos uma personagem tridimensional, cheia de conflictos internos, dúvidas, incertezas e sentimentos variados.
O segundo é o ambiente. Apesar do filme se passar na Inglaterra de Isabel I, o ambiente é brutalmente medieval, com uma abordagem de "sangue e lama" que raramente se vê no cinema hoje em dia. Tudo isto nos é mostrado com uma cinematografia que me parece bem acima da média.
Apenas o fim me deixou um certo dissabor, se bem que não consigo apontar exactamente o porquê. Talvez devido ao demónio em cgi, que parece deslocado num filme com este ambiente, mas não tenho a certeza.

Este é um filme que recomendo vivamente aos amantes dos filmes de acção com um "feel" das velhas histórias "pulp". Garanto que não se irão desiludir.

sábado, 27 de agosto de 2011

O Quinto Elemento (1997)


Já alguma vez vos aconteceu gostarem de um filme, mas não perceberem porquê? É o que me acontece com "O Quinto Elemento". Já vi o original dezenas de vezes e duas dobragens em línguas diferentes e consegue sempre ser uma experiência divertida.
O argumento não é nada de especial, aliás é bastante "standard" para este tipo de filmes, e o mesmo pode ser dito de quase todos os restantes elementos da produção. Mas não sei se é pelo humor, se pelo papel completamente "over the top" do Gary Oldman, se pela nostalgia que trás a combinação de inúmeros clichés e tropos dos filmes de acção, se por todas esta razões juntas, O Quinto Elemento consegue sempre cativar-me de uma forma que poucos filmes do género feitos nesta época conseguem.

O filme tem passado muitas vezes no Canal Hollywood ultimamente. Vejam quando o apanharem e digam-me se eu tenho ou não razão...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Dracula (1931)


Baseado numa peça de 1924, este é o clássico dos clássicos no que diz respeito aos filmes do drácula, tendo sido o primeiro autorizado pela viúva de Stoker.
Filmado nos primórdios da era do som, ainda se notam vários tiques do cinema mudo (em especial os gestos e expressões exageradas), mas não é por isso que deixa de merecer ser visto. O ambiente, especialmente nas primeiras duas partes, está muito bem conseguido e o desempenho de Dwight Frye como Renfield consegue convencer-nos da loucura do personagem. Mas é Bella Lugosi quem rouba todo o protagonismo. A sua presença e forma de representar é de tal forma marcante que nos consegue fazer levar a sério o seu sotaque húngaro, mesmo após o termos visto imitado e parodiado inúmeras vezes ao longo dos anos.

Apesar de se afastar bastante do livro de Stoker, merece ser visto por todos os fãs de vampiros e fantástico. Este filme (juntamente com o Nosferatu de 1922) influenciou mais o mito do vampiro como o conhecemos do que o livro em que é baseado (ou, já agora, que o "The Vampyre" de Polidori ou o "Varney the Vampire" de Rymer/Prest).


Uma Curiosidade - Existe uma versão em espanhol deste filme, filmada com outros actores, mas na mesma altura e no mesmo estúdio, que é por vezes considerada superior a esta, já que era filmada durante a noite e a equipa podia ver e corrigir os erros feitos durante o dia, no filme principal.

domingo, 19 de junho de 2011

A Guerra dos Mundos (1953) - O meu primeiro filme de fc


É provável que tenha visto filmes de fc antes, mas este é o primeiro de que me recordo. Foi num fim de tarde de Verão, mais ou menos por esta altura, no rés-do-chão da casa dos meus pais, que na altura era muita escura, pois não tinha janelas, numa velha televisão a preto e branco. Era muito novo, acho que ainda nem andava na escola, e fiquei aterrorizado. A própria ideia da invasão, as naves invulneráveis, a cena em que mostravam como os marcianos nos viam, o marciano morto a cair da nave, tudo isto me deixou várias noites sem dormir.

Voltei a ver o filme anos depois, já a cores. Claro que não me pareceu tão assustador, mas um novo elemento chamou-me à atenção: as naves que substituíram os tripodes originais, que são incrivelmente realistas para a altura. Eu diria que, até certo ponto, são icónicas da fc da época.

É um filme que hei-de rever não tarda e recomendo a todos que nunca o viram que o façam. Acreditem, adaptações mais recentes (em particular a do Spielberg) vão fazer um pouco mais de sentido.


sábado, 4 de junho de 2011

High Plains Drifter (1973)


Este filme é uma espectacular desconstrução dos Westerns clássicos. As pessoas da aldeia não são corajosos pioneiros num terra inóspita, mas gente cobarde incapaz de se defender (e aos outros). A personagem principal é um anti-heroi, se não lhe podermos chamar de vilão (SPOILER: Pouco depois de chegar à aldeia assassina três pessoas sem grande razão para isso e viola uma mulher). Hoje em dia estes elementos podem não nos parecer nada de especial, mas na altura era, pelo menos, incomum. De facto, o John Wayne, depois de ler o guião (o Clint Eastwood tinha-o convidado a entrar no filme), enviou uma carta a queixar-se, entre outras coisas, que "the townspeople did not represent the true spirit of the American pioneer, the spirit that made America great".

Este filme com um certo aspecto de fantástico. De facto, existem várias hipóteses sobrenaturais para a identidade do Stranger.

É uma pena que, ao contrário do seu sucessor espiritual, o "Pale Rider", este filme raramente passe na tv. Merecia ser mais visto.