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sábado, 12 de novembro de 2011

O Mundo Perdido no Fundo do Mar


Este é um dos últimos romances de Arthur Conan Doyle publicados. Apesar do título ser uma clara tentativa de ligar esta história à muito mais conhecida "O Mundo Perdido", do mesmo autor, são substancialmente diferentes. De facto, a única coisa que têm em comum é a exploração de um mundo desconhecido para a maior parte do mundo, se bem que mundos bem diferentes. Se em "O Mundo Perdido" se explora um planalto onde a natureza se manteve como era há milénios atrás, aqui exploramos os sobreviventes de um dilúvio que destruiu a Atlântida, uma raça tecnologicamente superior às que habitavam a superfície na época em que o autor viveu, levando este livro para o campo da ficção científica que a maioria dos leitores identifica com o género.
Como na maior parte de livros de FC com uma certa idade, temos aqui uma excelente oportunidade de perceber como as gentes da altura viam o futuro, falando de tecnologias que se vieram a tornar reais (como as lâmpadas florescentes e a energia nuclear) e outras que acabaram por ser desacreditadas (como a existência do éter).
A história em si possui várias passagens bastante interessantes e descrições inspiradoras, fáceis de visualizar e entusiasmantes, mas penso que a característica que mais salta à vista é a sua estrutura incomum. A fase de preparação, ao contrário do que ocorre na maior parte dos livros do género (incluindo "O Mundo Perdido"), em que ocupa vários capítulos para preparar e entusiasmar o leitor para o resto da história, é aqui despachada em poucas páginas. Além disso, a história não é contada de uma só vez, com os capítulos finais contando situações e detalhando certos pormenores que são ignorados na primeira iteração.

Não sendo, a meu ver, uma leitura essencial, é um livro que se lê bastante bem, até porque não é muito longo. Se o encontrarem, como eu, numa qualquer feira do livro por 1€, sugiro que o comprem. Acho que vale a pena.

P.S. - Como nota final, gostaria aqui de referir a tradução da Argonauta, uma das piores que me lembro de ler. Curiosamente, o tradutor foi o mesmo de "O Mundo Perdido", cuja tradução era mais do que aceitável.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O Mundo Perdido


Um clássico da literatura fantástica, "O Mundo Perdido" é a primeira história do prof. Challenger. Apesar de não ser tão famoso como uma certa outra personagem do mesmo autor, diz-se que Conan Doyle gostava mais do irascível professor era o seu favorito. Não é complicado perceber porquê. Já quando era miúdo e li este livro pela primeira vez a caracterização da personagem me atraiu bastante, em especial as constantes discussões com o professor Summerlee.
A história em si está cheia de descrições excelentes (as descrições do que os quatro aventureiros vêem durante a viagem pela selva amazónica é particularmente interessante) e locais fenomenais (locais como pântano dos peterodáctilos ficarão para sempre na minha memória) e termina num twist que, embora não seja totalmente inesperado, foge um pouco ao tradicional final feliz.
O livro está recheado de pequenos factos científicos, apesar de, em algumas instâncias, particularmente no que diz respeito à descrição da vida pré-histórica, se encontrarem condicionados pelos conhecimentos da época. Isto, por outro lado, dá-nos hoje uma interessante visão de como a Ciência e os homens viam o mundo há cem anos atrás.

É um livro que gostei de ler em miúdo e gostei ainda mais de reler em adulto. Entretanto, já tenho mais dois livros de Conan Doyle há espera de serem lidos: "The Maracot Deep" (aka "O Mundo Perdido Debaixo do Mar") e "O Dia em que Mundo Gritou" (que inclui os contos "O Dia em que o Mundo Gritou" e " A Máquina de Desintegração" mais a noveleta "Cinturas Venenosas"). Espero que me dêem tanto prazer como este livro.