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sábado, 31 de agosto de 2013

"10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte" - José Cid (1978)


Quantos daqueles familiarizados apenas com o trabalho mais recente de José Cid imaginam que o popular artista português criou uma obra destas, tão influenciada pela ficção científica?

Confesso que não sou dos maiores especialistas em rock progressivo e afins, até porque é um género que só tenho vindo a explorar em anos recentes, mas, daquilo que conheço, não fica atrás de muito o que foi produzido lá fora nesta altura e neste género. A música tem momentos extremamente épicos e outros de delicada beleza. O trabalho de instrumentos é bastante competente e a voz de José Cid adapta-se surpreendentemente bem ao género. Apenas a letra parece destoar no conjunto, mas tal não se deverá principalmente à sua qualidade (ou falta de), mas ao facto de estar em português. Estamos demasiados habituados a ouvir músicas em inglês, onde até os versos mais parvos e foleiros soam "cool". Mas, a realidade, é que a letra de "10,000 Anos Depois Entre Vénus e Marte" não é particularmente pior do que o trabalho de muitas das bandas inglesas do género.

Um álbum que deve ser ouvido por todos os amantes de prog rock e afins, e por aqueles que procuram o pouco de ficção científica que existe na produção cultural portuguesa. Afinal, embora em Portugal esteja praticamente esquecido, este álbum está muito bem cotado no estrangeiro e não é raro vê-lo nos tops do género como um dos melhores de 1978.


sábado, 3 de novembro de 2012

O Poder (cultural) do Metal

Quando se fala de metal (o género musical, entenda-se) o que vem à mente da maioria das pessoas é o Glam Metal dos anos oitenta ou a imagem de cabeludos vestidos de negro a propagar ideais satânicos (ou talvez uma ou outra banda da vaga de nü metal da viragem do milénio). Porém, esta é uma imagem extremamente redutora do género. O metal é um género musical vastíssimo, quer a nível temático, quer a nível da sonoridade, e que contribui grandemente para a cultura geral do ouvinte.

Pensemos, por exemplo, em quantas pessoas nunca teriam ouvido falar na Batalha de Wizna se não fosse a música 40:1 dos Sabaton, ou na de Paschendale se não fosse a música homónima dos Iron Maiden, ou até nas viagens dos vikings pela europa oriental se não fosse o álbum dos Turisas "Varangian Way". A quantas pessoas não terão estas (e muitas outras músicas) despertado um interesse pela história?
Enquanto a história, em especial a vertente bélica, é uma temática popular, o metal não se fica por aí. As referências literárias são também bastante comuns, de Tolkien e Lovecraft a Dickens e Shakspeare, encontramos um pouco de tudo. Iron Maiden, Blind Guardian, Battlelore, Bal Sagoth e Nightwish são apenas algumas das muitas bandas que fazem referência á literatura ou foram claramente influenciados por ela. Como escreveu Fernando Ribeiro (vocalista dos Moonspell) na revista Bang! n.º11 "... os [Iron] Maiden tiveram o condão de pôr milhares a saber de cor extensas partes deste poema [The rhyme of the ancient mariner], conseguindo, pelo talento do seu metal, o que a maior parte dos programas absurdos de educação, pensada por tecnocratas durante férias caribenhas pagas pelos contribuintes, não conseguiram".
Nem mesmo os escândalos políticos e económicos escapam às bandas de metal, como prova a música "Be Quick or Be Dead" dos Iron Maiden, cuja letra nos fala de vários escândalos passados no início dos anos oitenta.
E estes são apenas alguns exemplos da inúmeras temáticas abordadas no género e que contribuem para a cultura geral do ouvinte. Existem muitos mais, desde a mitologia à crítica social, e basta fazer uma rápida busca na internet para os encontrar.

Mas não é só a nível lírico que o metal contribui para a cultura dos seus fãs, também o consegue a nível sonoro. O metal tem, à partida, e apesar de encontrar as suas raízes na música popular, nomeadamente no Rock and Roll, influências advindas da música clássica que qualquer pessoa com um ouvido mais ou menos apurado consegue descortinar. Porém, é tendência do metal se misturar com outros géneros musicais (e existem combinações de metal com praticamente tudo) que mais ajuda a alargar o horizonte musical dos ouvintes do género. Basta ler algumas entradas em certos forums na Internet para perceber que bandas de metal sinfónico como Rhapsody of Fire, Nightwish e Epica levaram várias pessoas à música clássica, e que bandas de folk metal como Cruachan, Finntroll e Elvenking fizeram o mesmo pela música celta, a polka e a música folk no geral. Novamente, estes são apenas alguns exemplo. Poderá ser dito algo semelhante de muitos outros géneros e bandas.

Em conclusão, o metal é um género musical muito mais rico do que a maior parte das pessoas parece pensar. E se compreendo que nem toda a gente goste da sua sonoridade agressiva, penso que é um erro crasso simplesmente relegá-lo ao estatuto de barulho sem qualquer valor cultural.

sábado, 6 de outubro de 2012

"Ascending to Infinity" - Luca Turilli's Rhapsody


Faz agora aproximadamente um ano que os fãs da banda de power metal sinfónico Rhapsody of Fire receberam a (à primeira vista má) notícia da separação da banda.

Este é o primeiro álbum da banda formada por Luca Turilli após a separação,  Luca Turilli's Rapsody, e é com prazer que digo que não desilude os fãs. O lado sinfónico da banda e a clara influência das bandas sonoras cinematográficas não desapareceu, aliás, atrevo-me a dizer que são mais bombásticas e estão mais presentes do que nunca. As letras das músicas ainda estão recheadas de ficção especulativa. Até a voz de Alessandro Conti se aproxima à de Fabio Leone. E o álbum está cheio de músicas memoráveis, da "Dark Fate of Atlantis" à épica "Of Michael the Archangel and Lucifer's Fall".

Há, porém, diferenças em relação à sonoridade dos albums anteriores do Rhapsody of Fire, sendo a mais notável o quase total desaparecimento das influências barrocas, mas acho-o perfeitamente perdoável frente ao reforço do elemento sinfónico.

Espero, agora, com ansiedade a chegada do novo album dos Rhapsody of Fire (agora encabeçados apenas por Alex Staropoli) para confirmar que só não perdemos a banda Rhapsody, mas afinal até ganhamos duas.