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domingo, 23 de março de 2014

"Frankenstein" Mary Shelley


Frankenstein dispensa apresentações. Um clássico da literatura de terror de que poucos não terão ouvido falar. Porém, como eu suspeitava, a ideia que popularmente se faz de Frankenstein deve mais aos filmes da Universal do que ao livro, sendo, neste aspecto, similar àquele outro clássico da literatura de terror, Drácula.

O livro é bastante diferente da maior parte das adaptações cinematográficas (talvez sendo a de Kenneth Branagh a que fica mais próxima). Enquanto os filmes geralmente de forma a focar os efeitos especiais e a caracterização, se centram na "ciência" e no aspecto do monstro, o livro não. Como bom exemplo disso temos a cena em que o monstro é animado, um dos pontos fulcrais de todos filmes, mas que aqui passa tão depressa e com tão pouca pompa que mal damos por ela.

O livro centra-se mais nos pensamentos das personagens, no entusiasmo e posteriores remorsos de Vítor Frankenstein e no conflito interno quanto às responsabilidades que tem pelo acto da sua criação; na dor do monstro que, como uma criança abandonada, vai aprendendo a perceber o mundo e depois se vê rejeitado por este devido ao seu aspecto e como isso o torna amargo e vingativo; a necessidade de Walton de encontrar um amigo que partilhe os seus sentimentos e como o encontra em Vítor, para depois o perder. E é também aqui que encontrei o elemento de terror no livro, não no aspecto horrível do monstro ou da sua existência contra-natura, mas sim no sofrimento das personagens, na capacidade que a sociedade tem de criar monstros e no preço que há a pagar por isso.

É um livro que devia ser lido por todos, não só os fãs do género, pois todos podem aprender algo com ele, não só com a sua mensagem central, como nas muitas outras que por ele estão espalhadas e até nas inúmeras referências a obras clássicas. Sem dúvida, uma leitura obrigatória.

sábado, 2 de junho de 2012

Programa do colóquio sobre drácula e a literatura gótica já está disponível


Já está disponível o programa provisório do colóquio "Dracula and the Gothic in Literature, Pop Culture and the Arts" a decorrer no fim deste mês na Universidade do Minho. Podem encontrá-lo aqui.

sábado, 12 de maio de 2012

O Vampiro


Inicialmente atribuído a Lorde Byron, este é um conto de horror gótico escrito pelo médico pessoal dele, John Polidori. Foi concebido na Suíça nos meses de Verão de 1816 (o famoso Ano Sem Verão), onde Byron, Polidori e os seus convidados, Percy e Mary Shelley e Claire Clairmont, impedidos de sair de casa pelas fortes chuvadas, decidiram escrever histórias de terror para passar o tempo (também foi aqui que Mary Shelley, com a ajuda de Percey, começou a escrever o que se viria a tornar o famoso romance "Frankenstein").

"O Vampiro" de John Polidori, após a sua publicação em 1819, tornou-se a pedra basilar da actual literatura de vampiros, sendo frequentemente considerada a primeira história a conseguir juntar com sucesso os vários mitos de vampirismo num todo coerente. É, também, reconhecida como uma das principais fontes de inspiração de Bram Stoker.

Mesmo deixando de parte a sua importância histórica, é um conto que se lê muito bem. Está bem escrito, pensado e estruturado, e, embora a prosa usual da época fosse bastante diferente da actual, penso que as palavras e frases fluem com naturalidade uma sonoridade cativante. O enredo será, indubitavelmente, previsível para um público actual, mas o mesmo não se poderá dizer do vampiro. Este difere em vários aspectos da criatura apresentada no mito moderno do vampiro (mais influenciada pelos filmes "Nosferatu "(1922) e "Drácula"(1931) do que em qualquer obra literária).

Quer pela sua importância histórica, quer por ser realmente uma boa história, "O Vampiro" merece ser lido. Podem encontrá-lo, em inglês e formato digital, no Projecto Gutenberg.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Colóquio "Dracula and the Gothic in Literature, Pop Culture and the Arts" na Universidade do Minho


Para celebrar o centésimo aniversário da morte de Bran Stocker, a Universidade do Minho organiza este colóquio, que ocorre nos dias 29 e 30 de Junho. As inscrições ainda não estão abertas, mas já aceitam propostas para apresentações. Mais detalhes aqui.