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domingo, 22 de julho de 2012

A Guerra dos Tronos - Época 2 (2012)


Esta é a segunda da época de uma das séries de televisão mais antecipadas de todos os tempos e, no geral, não decepciona. Valores de produção elevadíssimos,  prestações memoráveis, efeitos especiais de fazer arregalar os olhos, escrita competente, cenários belíssimos e um final de época que, não sendo particularmente original, nos deixa ansiosos pela terceira época. A série entusiasma e transporta-nos eficazmente para o mundo de fantasia onde a acção decorre.

Infelizmente, os problemas de adaptação já presentes na primeira época são agora muito mais evidentes.

Por um lado, e especialmente nos primeiros episódios, o ritmo da história é lento ao ponto de se tornar inadmissível numa série de televisão. Não são raros os episódios em que temos mais de uma mão cheia de pontos de vista e em que a história, no geral, avança menos de um milímetro.

Por outro, temos várias personagens que precisavam de mais tempo de ecrã. Como podemos, por exemplo, sentir algum impacto emocional com a morte de Renly Baratheon se, durante toda a série, só o vimos durante pouco mais de vinte minutos? Como podemos simpatizar com a rainha Cersei quando a sua filha é levada para Dorne se só de passagem nos é mostrado que o Joffrey tem irmãos?

Muitos de vocês estarão agora a perguntar-se como é possível resolver ambos os problemas, como se pode explorar mais a fundo as personagens e dar-lhes mais tempo de ecrã e, ao mesmo tempo, melhorar o ritmo da história. Na minha opinião, não é possível, não numa série de televisão, e é esse o cerne da questão. Esta é uma história que funciona incrivelmente bem em livro, mas transportá-la para o ecrã eficazmente e sem falhas é uma tarefa simplesmente impossível.

Não se trata aqui do mero e usual queixume de "o livro é melhor que o filme/série", até porque é uma discussão que abomino. Tento apenas fazer a observação de que certas histórias, e a forma como são contadas, estão indissociavelmente ligadas ao meio em que foram originalmente criadas. Como eu disse na opinião que escrevi sobre a primeira época, esta série revela-nos o valor da literatura e como esta não pode ser substituída, pois por muito boa que "A Guerra dos Tronos" da HBO seja, não consegue rivalizar com os livros de George Martin simplesmente porque a televisão não é o meio mais adequado para contar a história.

Não me interpretem mal. Eu adorei a série (caso contrário não teria perdido tempo a vê-la até ao fim e muito menos a escrever aqui sobre ela) e os dvds da primeira época já vêm a caminho. Também não acho que seja uma má série (se bem que, devido aos problemas descritos acima, fica algo aquém de algumas das outras produções da HBO). Nem sequer sou capaz de dizer que é uma má adaptação. Quanto mais penso no assunto, acho que a melhor adaptação possível (ou perto disso). Mas o melhor possível não é suficiente. A série é uma sombra dos romances e nunca poderia ser mais do que isso.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A Guerra dos Tronos - Época 1 (2011)


Eu sempre gostei das seŕies da HBO, em particular do drama histórico Roma. Por isso, era com grandes expectativas que aguardava esta série. E não foram defraudadas.
A história deste série segue de perto a dos livros, sem grandes desvios por parte dos argumentistas. De facto, algumas cenas são tiradas linha a linha dos livros, incluindo os fabulosos diálogos. Os actores, dos mais experientes aos iniciantes, desempenham os seus papeis de forma competente, quando não fabulosa. Visualmente, também não há nada a apontar, do guarda roupa, aos efeitos especiais (o Eyrie, mais do que a muralha em si, ficou-me gravado na memória). Banda sonora boa. Até a sequência de abertura é fantástica, uma das melhores que me lembro de ver.

Depois, vêm as inevitáveis comparações com os livros. Existem diferenças, obviamente, nem tudo o que se faz num livro se pode fazer numa série de TV. Uma das que mais salta à vista é o facto que quase todas personagens envelheceram. Dada as cenas de violência e cariz sexual, isso não me espanta, especialmente numa série americana. Nunca passariam pelos censores se fossem filmadas como estão escritas nos livros (para quem não leu o livro, a Daenerys, no tempo em que se passa a série, tem apenas treze anos).
Além desta diferença mais óbvia, existem imensos detalhes sobre a história e sobre o mundo que ficam de fora na série. Nenhum deles é essencial, se bem que alguns explicariam melhor o que ocorre no ecrã, apenas nos dão uma melhor imagem das personagens e do mundo, mas não havia maneira de os filmar, pelo menos não sem quebrar completamente o ritmo da série. E, a meu ver, é aqui que surge o problema. Não com a série, que é uma das melhores que já vi, mas sim com o próprio meio, com a televisão. É impossível explorar convenientemente um mundo tão vasto, uma história tão intrincada, umas personagens tão complexas (e numerosas) em dez episódios de 45 minutos. Não me entendam mal, eu adorei a série, não tarda vou adicioná-la à minha colecção de DVDs, mas não passa de uma mera sombra dos livros.

Num tempo em que muita gente prefere o imediatismo do cinema ou da televisão à mais demorada leitura de um livro, esta série dá-nos um excelente argumento com que defender a literatura. "A Guerra dos Tronos" da HBO é uma série magnífica que nos entusiasma e agarra ao ecrã, mas ler os livros de George Martin é uma experiência transcendental que é impossível capturar em qualquer outro meio.

Vejam a série, vale bem a pena, mas não passem ao lado dos livros. Valem todas as horas neles investidos.

Deixo-vos, agora, com o trailer da segunda época desta série, a estrear em breve.