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domingo, 10 de agosto de 2014

Drácula (TV) (2013)


Antes de mais, convém salientar que esta série não é uma adaptação do romance de Bram Stoker. Há mudanças significativas à história e até de género, já que de terror pouco encontrei, à excepção de uma ou outra cena que dá mais ênfase ao "gore".

Porém, se conseguirmos ultrapassar isto, encontramos uma série relativamente bem escrita, com valores de produção elevados e interpretações, no geral, competentes.

Aqui, Drácula alia-se ao seu némeris, Van Helsing, para se vingar daqueles que mataram os entes queridos de ambos. Embora nenhum deles esteja acima de fazer uso de violência, o plano deles é destruir economicamente os inimigos, com uma tecnologia capaz de substituir os combustíveis fósseis. Isto traz à história um elemento steampunk (electropunk?) que certamente irá apelar aos fãs do género.

Antes que comecem a ver série, porém, tenho de avisar-vos que esta já foi cancelada e, infelizmente, termina num "cliffhanger". Merecia, pelo menos, um final melhor, se não mais uma época.

Contudo, se não se importarem com o final indefinido, acho que merece ser vista.

sábado, 19 de julho de 2014

"The Sensorites" "Doctor Who" (1964)


Os fãs da nova série do Doctor Who poderão lembrar-se de uma referência feita no episódio "Planet of the Ood" a um planeta chamado "Sense-Sphere". É nesse planeta que se passa este seriado da série clássica, transmitido 44 anos antes.

Esta é uma das minhas histórias favoritas do primeiro doutor. Ao contrário do que acontece com outros seriados de seis episódios, aqui não existem episódios pouco relevantes só para encher a programação. O guião é dos melhores desta época com uma pequena conspiração que se vai revelando aos poucos e um final bastante interessante e algo surpreendente. O trabalho de cenografia também é excelente e confesso que houve vários cenários que me fascinaram, enquanto os actores fazem um trabalho competente, sendo, como é usual, Carole Ann Ford (a neta do Doutor) o elo mais fraco. Até o desenho dos alienígena (os "sensorites" do título) está relativamente bem feito se tivermos em contas as limitações da época e a sua primeira aparição chega a ser assustadora..

Se só poderem ver um episódio do primeiro Doutor, recomendo que seja este.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

"Battlestar Galactica: Blood & Chrome" (TV) (2013)



"Blood and Chrome" é uma prequela da nova "Battlestar Galactica" passada durante a primeira guerra contra os cylons. Originalmente uma série exclusiva para a web, foi posteriormente condensada num filme e transmitida no Syfy, tendo sido esta a versão que vi.

Honestamente, penso que só a nível dos efeitos especiais se compara com a série mãe (até porque me parece que muitos dos modelos usados foram emprestados por esta).

O guião é bastante simples, longe da complexidade que Galactica nos habituou e, embora esteja uns furos acima dos filmes manhosos a que o Syfy nos habituou no últimos anos, está longe de ser genial. É apenas uma história de FC relativamente "standard" e pouco original passado no universo de Galactica. Talvez o ponto mais interessante seja a tentativa algo básica de fazer a ponte entre "Caprica" e "Battlestar Galactica".

Também não posso dizer nada de positivo sobre as representações. Os actores não me pareceram particularmente bons e isso notava-se bastante. O fosso, a este nível, entre "Blood and Chrome" e as outras séries do franchise é absolutamente colossal. Destaco, pela negativa, Luke Pasqualino como Adama, que nunca nos faz acreditar que se trata da mesma personagem interpretada por Edward James Olmos.

Esta série/filme é apenas obrigatória para os fãs do franchise. Todos os outros podem ignorá-la a menos que tenham um par de horas para queimar. Neste último caso, não será a pior escolha que poderiam fazer.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Continuum - Segunda Época (2013)


Continuum é uma série de ficção científica canadiana filmada e passada quase exclusivamente em Vancouver. A uma primeira época relativamente banal, onde apenas se teve um pequeno vislumbre da moralidade cinzenta da série, seguiu-se uma segunda época que não só me pareceu largamente superior, como é diferentes da maior parte da oferta televisiva do género.

Não esperem ter aqui espectaculares cenas cheias de efeitos especiais (se bem que tem os seus momentos). Por outro lado, também não se trata de FC Hard, pois os desvios da ciência consensual são mais do que muitos. O forte da série está mesmo nas personagens e na relação entre elas. As "facções" são mais do que muitas e encontram-se em constante mutação. Juntam-se, separam, aparecem e desaparecem, muitas vezes no decorrer de poucos episódios. As personagens, por seu lado, têm todas os seus próprios objectivos e interesses, que nem sempre coincidem com os da "facção" a que pertencem. E mudam e crescem bastante no decorrer da história. Não existe aqui um "status quo" ao qual regressar no fim de cada episódio.

Embora não seja das mais badaladas série de FC e F do momento, recomendo que invistam algum tempo a ver um ou dois episódios, de preferência da segunda época. Quem sabe se não tornam fãs como eu.

sábado, 14 de setembro de 2013

"The Keys of Marinus" "Doctor Who" (1964)


"The Keys of Marinus" é o quinto seriado da famosa e longeva série de fc britânica "Doctor Who". Na minha opinião, este é o seriado em que a série encontra o seu ritmo e a sua identidade. Se os seriados anteriores já tinham imensos elementos que aprendemos a associar a "Doctor Who", este é o primeiro que se apresenta como indubitavelmente "Who" (podemos defender que isto já ocorreu no seriado anterior "Marco Polo", mas como "Marco Polo" é um dos famosos episódios perdidos, que só se encontra disponível na forma de 30 minutos de fotografias acompanhadas por uma faixa áudio, é difícil dizer com certeza).

O seriado foi escrito por Terry Nation, o criador dos infames Daleks e autor do segundo seriado "The Daleks", e penso que aqui ele faz um trabalho superior ao da sua primeira tentativa, com a qual confesso que fiquei um pouco desiludido. A escrita é competente, por vezes até genial, e também confirmamos o que já parecia ser o principal talento de Terry: a criação de locais diferentes e extremamente imaginativos. Se em "The Daleks" tivemos uma floresta de pedra com animais metálicos em que os predadores caçavam através de magnetismo, aqui temos vários ambientes diferentes, dos quais destaco a ilha cercada por um oceano de ácido que se encontra sob ataque de inimigos que viajam em submarinos de vidro.

Infelizmente, este seriado, como uma boa parte dos episódios clássicos, está recheado de falhas de efeitos especiais e continuidade. Carole Ann Ford continua a ser o elo mais fraco no elenco, mas os restantes actores fazem um papel competente (se, obviamente, compensar-mos o estilo de representação da época, bem diferente da actual). A cenografia continua genial e é um dos elementos que mais apreciei.

"The Key of Marinus" rapidamente se tornou um dos meus seriados favoritos da série clássica de "Doctor Who". Despertou em mim um sentido de aventura que só "Doctor Who" consegue. Obrigatório para todos os fãs da série clássica e para os amantes da fc televisiva.

sábado, 27 de julho de 2013

"An Unearthly Child" "Doctor Who" 1963


Já há alguns anos, praticamente desde que comecei a ver a nova série do Doctor Who, que tenho andado para ver a série original. Finalmente, no mês passado, para ajudar a passar a espera até sair a caixa com a sétima época completa da nova série, decidi gastar 10£ na caixa com os quatro primeiros seriados (para quem não sabe, a série original Doctor Who era quase completamente constituída por seriados de vários episódios com 25 minutos cada um) de sempre.  Dou o dinheiro por muito bem empregue (aliás, já encomendei o dvd com quinto seriado).

"An Unearthly Child" é o primeiro seriado, aquele que introduziu alguns dos elementos mais icónicos da série. É verdade que os efeitos especiais estão datados, algo que não me incomodou muito pois estou habituado a ver velhos filmes de fc, e as prestações dos actores (com a possível excepção de William Hartnel, que interpreta o Doutor) chega a ser sofrível, mas ainda assim vale bem a pena ver, e não só pela sua importância histórica. O seriado está razoavelmente bem escrito e a cenografia é genial. Mais importante, provocou-me a mesma sensação de deslumbramento que qualquer episódio da nova série.

Convém, porém, salientar que a série, nesta altura, era bem diferente da nova. Os elementos básicos estão lá, mas o humor é muito menos predominante. O doutor nada tem a ver com as suas últimas três encarnações, quer na idade, quer em temperamento, chegando mesmo a ser cruel (se bem que ouvi dizer que ele "amolece" nos próximos seriados). E não há chave de fendas sónica.

Como o primeiro seriado de sempre de Doctor Who, "An Unearthly Child" é de visionamento obrigatório para os fãs maiss fervorosos da série e para os amantes da história da FC em televisão.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Uma Aventura no Espaço e no Tempo


Já está a ser filmado o telefilme "An Adventure in Space and Time", criado para festejar os cinquenta anos da série britânica Doctor Who. Trata-se de um drama que contará a história da criação desta série, um dos programas de tv com mais longevidade e que influenciou todo o tipo de artistas, dos Iron Maiden ao Neil Gaiman. Obrigatório para todos os fãs da série, de fantástico e de tv em geral.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Doctor Who - A Christmas Carol (2010)


Vi pela primeira vez este episódio, o especial de Natal de 2010 do Doctor Who, no final do Verão e prometi a mim mesmo nessa altura revê-lo quando a época natalícia chegasse. Foi o que fiz, e desconfio que se juntará ao meu rol de tradições natalícias.

De todos os especiais de natal de todas as séries que já vi, este é provavelmente do que mais gostei. É praticamente impossível não nos sentirmos novamente uma criança durante estes 60 minutos passados à frente da televisão, tão maravilhosos são, mas mesmo se desligarmos a nossa criança interior continua a ser um episódio brilhante.

Como o próprio título indica, a história é baseada no clássico de Dickens, cuja estrutura se adapta particularmente bem ao Doctor Who devido ao uso de viagens no tempo, e encontra-se extremamente bem contada, mostrando uma vez mais porque Steven Moffat é considerado um dos melhores escritores para televisão da actualidade. Todo o ambiente é bastante imaginativo, até para os padrões do Doctor Who. As prestações dos actores é competente, até a da inexperiente Katherine Jenkins, mas o veterano Michael Gambon destaca-se e o seu  Kazran Sardick é uma das memoráveis personagens de todo o Doctor Who. A banda sonora é excelente, melhor que a de uma boa parte dos filmes que têm passado nos cinemas, e o mesmo pode ser dito da cenografia, da cinematografia e dos efeitos especiais.

É um episódio que merece ser visto por todos os fãs da série, e acredito que poderá impressionar até os não fãs. Recomendo-o vivamente.

domingo, 22 de julho de 2012

A Guerra dos Tronos - Época 2 (2012)


Esta é a segunda da época de uma das séries de televisão mais antecipadas de todos os tempos e, no geral, não decepciona. Valores de produção elevadíssimos,  prestações memoráveis, efeitos especiais de fazer arregalar os olhos, escrita competente, cenários belíssimos e um final de época que, não sendo particularmente original, nos deixa ansiosos pela terceira época. A série entusiasma e transporta-nos eficazmente para o mundo de fantasia onde a acção decorre.

Infelizmente, os problemas de adaptação já presentes na primeira época são agora muito mais evidentes.

Por um lado, e especialmente nos primeiros episódios, o ritmo da história é lento ao ponto de se tornar inadmissível numa série de televisão. Não são raros os episódios em que temos mais de uma mão cheia de pontos de vista e em que a história, no geral, avança menos de um milímetro.

Por outro, temos várias personagens que precisavam de mais tempo de ecrã. Como podemos, por exemplo, sentir algum impacto emocional com a morte de Renly Baratheon se, durante toda a série, só o vimos durante pouco mais de vinte minutos? Como podemos simpatizar com a rainha Cersei quando a sua filha é levada para Dorne se só de passagem nos é mostrado que o Joffrey tem irmãos?

Muitos de vocês estarão agora a perguntar-se como é possível resolver ambos os problemas, como se pode explorar mais a fundo as personagens e dar-lhes mais tempo de ecrã e, ao mesmo tempo, melhorar o ritmo da história. Na minha opinião, não é possível, não numa série de televisão, e é esse o cerne da questão. Esta é uma história que funciona incrivelmente bem em livro, mas transportá-la para o ecrã eficazmente e sem falhas é uma tarefa simplesmente impossível.

Não se trata aqui do mero e usual queixume de "o livro é melhor que o filme/série", até porque é uma discussão que abomino. Tento apenas fazer a observação de que certas histórias, e a forma como são contadas, estão indissociavelmente ligadas ao meio em que foram originalmente criadas. Como eu disse na opinião que escrevi sobre a primeira época, esta série revela-nos o valor da literatura e como esta não pode ser substituída, pois por muito boa que "A Guerra dos Tronos" da HBO seja, não consegue rivalizar com os livros de George Martin simplesmente porque a televisão não é o meio mais adequado para contar a história.

Não me interpretem mal. Eu adorei a série (caso contrário não teria perdido tempo a vê-la até ao fim e muito menos a escrever aqui sobre ela) e os dvds da primeira época já vêm a caminho. Também não acho que seja uma má série (se bem que, devido aos problemas descritos acima, fica algo aquém de algumas das outras produções da HBO). Nem sequer sou capaz de dizer que é uma má adaptação. Quanto mais penso no assunto, acho que a melhor adaptação possível (ou perto disso). Mas o melhor possível não é suficiente. A série é uma sombra dos romances e nunca poderia ser mais do que isso.

sábado, 2 de junho de 2012

Programa do colóquio sobre drácula e a literatura gótica já está disponível


Já está disponível o programa provisório do colóquio "Dracula and the Gothic in Literature, Pop Culture and the Arts" a decorrer no fim deste mês na Universidade do Minho. Podem encontrá-lo aqui.

sábado, 21 de abril de 2012

Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco) (1986)


Lembro-me de, com seis anos, ir a correr da escola para casa para ver esta série (na altura dobrada em espanhol, pois só passou nos canais portugueses anos depois). Recentemente, deu-me vontade de a rever. Confesso que fiquei chocado só de pensar que a vi com tão tenra idade, mas tal não se deve apenas ao seu conteúdo graficamente violento (as personagens perdem litros de sangue em quase todos os episódios). Eu simplesmente não tinha maturidade suficiente para compreender e seti a história. Apesar de ser uma série claramente pensada para um público adolescente (o que não falta são mensagens de como a amizade e a lealdade são importantes) e de não ter uma história especialmente complexa, esta tem uma boa dose de nuances que escapam a qualquer criança (e, acredito, até mesmo ao seu público alvo), em especial as histórias de algumas das personagens, que, quando não são simplesmente tristes, são de uma violência emocional gritante.

Outro elemento que devo destacar esta série é a banda sonora, que complementa eficazmente o que se passa no ecrã. O Leitmotiv que pontua as cenas mais melancólicas, então, é capaz de levar qualquer um quase às lágrimas.

Confesso que estou a tirar desta série muito mais do que a mera nostalgia que esperava quando a decidi rever. Não direi que é uma série obrigatória, nem sequer para o fãs de anime, mas penso que mesmo um público adulto não dará por perdido o tempo investido a vê-la.


sábado, 3 de março de 2012

O Preço da Cultura

Estou neste momento à espera que abram as inscrições para um curso gratuito sobre a história de Braga. Entretanto, leio o programa cultural da cidade para este mês. Ao ver as diversas ofertas gratuitas e/ou a baixo preço, lembrei-me da recorrente queixa de que a cultura em Portugal é cara. Eu, porém, pelas experiências que tenho tido, não posso concordar. Vejamos, então:

Nos últimos três anos, assisti a dezenas de sessões gratuitas de cinema, onde se mostrou de clássicos de Hollywood a filmes independentes de todo o mundo e até um ou outro blockbuster recente.
No ano passado, entre as feiras do livro de Braga e Viana do Castelo, comprei onze livros (ficção e não ficção) e gastei apenas dezoito euros (sim, menos de dois euros por livro). Assisti ao festival internacional de música "folk", que era de entrada livre. Visitei ou revisitei mais de uma centena de monumentos nacionais (e alguns no país ao lado), muitos deles recheados com arte de diversas expressões.
E já perdi a conta ao número de exposições a que fui. Só esta semana vi três pequenas mostras de arte. E só não assisti a uma leitura de "Ifigénia em Áulis" de Euripides (também grátis) devido a uma dor de cabeça inesperada.

E estes exemplos são apenas aqueles de que me lembro neste momento. Haverá muitos outros. Isto para não falar de outros recursos culturais gratuitos, como as bibliotecas municipais ou o canal de televisão de sinal aberto rtp2 (onde passam inúmeros programas culturais, documentários, séries de qualidade e cinema de todo o mundo). E se pensar, então, em recursos online (LEGAIS) estava aqui o dia todo para listar os links.

Dados todos estes exemplos de cultura gratuita/baixo custo, não consigo, em boa fé, concordar com a ideia de que a cultura em Portugal é cara.

Mas porque subsiste, então, esta queixa? Será apenas mais uma das incontáveis queixas que as pessoas repetem sem pensar? Haverá falta de divulgação das fontes de cultura acessíveis? Terá chegado à cultura a popular, mas a meu ver falaciosa, ideia de que o preço é proporcional à qualidade? Ou os queixosos, quando pensam em cultura, lembram-se apenas dos livros/filmes/espectáculos/etc... da moda no momento (esses sim, geralmente caros) e esquecem (ou desprezam) os eventos/artistas/produtos menos conhecidos e os milénios de produção cultural a que hoje temos acesso a baixo custo?
O que acham?

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A Guerra dos Tronos - Época 1 (2011)


Eu sempre gostei das seŕies da HBO, em particular do drama histórico Roma. Por isso, era com grandes expectativas que aguardava esta série. E não foram defraudadas.
A história deste série segue de perto a dos livros, sem grandes desvios por parte dos argumentistas. De facto, algumas cenas são tiradas linha a linha dos livros, incluindo os fabulosos diálogos. Os actores, dos mais experientes aos iniciantes, desempenham os seus papeis de forma competente, quando não fabulosa. Visualmente, também não há nada a apontar, do guarda roupa, aos efeitos especiais (o Eyrie, mais do que a muralha em si, ficou-me gravado na memória). Banda sonora boa. Até a sequência de abertura é fantástica, uma das melhores que me lembro de ver.

Depois, vêm as inevitáveis comparações com os livros. Existem diferenças, obviamente, nem tudo o que se faz num livro se pode fazer numa série de TV. Uma das que mais salta à vista é o facto que quase todas personagens envelheceram. Dada as cenas de violência e cariz sexual, isso não me espanta, especialmente numa série americana. Nunca passariam pelos censores se fossem filmadas como estão escritas nos livros (para quem não leu o livro, a Daenerys, no tempo em que se passa a série, tem apenas treze anos).
Além desta diferença mais óbvia, existem imensos detalhes sobre a história e sobre o mundo que ficam de fora na série. Nenhum deles é essencial, se bem que alguns explicariam melhor o que ocorre no ecrã, apenas nos dão uma melhor imagem das personagens e do mundo, mas não havia maneira de os filmar, pelo menos não sem quebrar completamente o ritmo da série. E, a meu ver, é aqui que surge o problema. Não com a série, que é uma das melhores que já vi, mas sim com o próprio meio, com a televisão. É impossível explorar convenientemente um mundo tão vasto, uma história tão intrincada, umas personagens tão complexas (e numerosas) em dez episódios de 45 minutos. Não me entendam mal, eu adorei a série, não tarda vou adicioná-la à minha colecção de DVDs, mas não passa de uma mera sombra dos livros.

Num tempo em que muita gente prefere o imediatismo do cinema ou da televisão à mais demorada leitura de um livro, esta série dá-nos um excelente argumento com que defender a literatura. "A Guerra dos Tronos" da HBO é uma série magnífica que nos entusiasma e agarra ao ecrã, mas ler os livros de George Martin é uma experiência transcendental que é impossível capturar em qualquer outro meio.

Vejam a série, vale bem a pena, mas não passem ao lado dos livros. Valem todas as horas neles investidos.

Deixo-vos, agora, com o trailer da segunda época desta série, a estrear em breve.

sábado, 5 de novembro de 2011

Doctor Who - Tooth and Claw (2006)


Este episódio de Doctor Who tem um significado especial para mim. Não foi o primeiro da série que vi (foi o terceiro), mas foi aquele que me conquistou e me fez fã. É verdade que, em retrospectiva, não é um dos melhores da série, nem um dos mais imaginativos. Na realidade, é uma história de lobisomens bastante vulgar, com o tradicional "twist" alienígena típico de Doctor Who. Porém, o ambiente está muito bem conseguido, assim como uso dos tropos e clichés deste género histórias (e conta com uma boa dose do humor que aprendemos a esperar desta série, que não se leva muito a sério). Penso que foi isto que me conquistou e me permitiu passar a olhar para o Doctor Who com outros olhos, tornando esta série que eu via com indiferença numa das minhas favoritas. Até já ando à procura dos dvds com os velhinhos episódios a preto e branco.

sábado, 8 de outubro de 2011

Deadliest Warrior


Um "documentário" de entretenimento (com grande ênfase neste último componente) criado para responder às preces de todos os geeks de história militar. Em cada episódio,  guerreiros de épocas e locais diferentes enfrentam-se para determinar qual será o melhor. Os dados usados na simulação são obtidos a partir de testes executados às armas que ambos usavam (se bem que, na última época, outros factores também são levados em conta). No geral, este programa tem diversos problemas: as escolhas das armas e dos oponentes são muitas vezes discutíveis, os conhecimentos dos especialistas chamados para representar cada guerreiro são dúbios e a validade científica dos testes é, na melhor das hipóteses, reduzida. Felizmente, nem tudo é mal. A contextualização histórica feita pelo narrador é, geralmente, correcta, e o programa também é uma boa forma de conhecer novos guerreiros, culturas e armas. Também nos mostra uma maneira como estas últimas podem ser usadas, bastante interessante para quem apenas leu sobre elas e nunca as viu em acção. Por outro lado, do ponto de vista do entretenimento, há algo de viciante no Deadliest Warrior.

 Infelizmente, que eu saiba, nenhum canal em Portugal está a transmitir este programa e também não existe uma versão em DVD da zona 2. Resta-nos o download ou youtube. Nem todos conseguirão superar as inúmeras falhas históricas e até lógicas do Deadliest Warrior, mas dêem-lhe uma hipóteses. Pode ser que fiquem viciados.

sábado, 23 de julho de 2011

Doctor Who - Blink (2007)


Apesar de ser um episódio "Doctor Light", este é um dos melhores de sempre. Escrito pelo "The Moff" (Steven Moffat, actual escritor principal da série e um dos melhores autores para tv da actualidade) venceu um prémio Hugo, e com razão. É um dos mais assustadores episódios da série (senão o mais assustador) e também um dos mais bem escritos e pensados. Os "inimigos da semana" são uns dos mais interessantes que já vi em tv, o que é um grande elogio já que, ao fim de contas, são estátuas (que se movem quando não são observadas e "matam" os adversários mandando-os para o passado e deixando a passagem do tempo fazer o trabalho sujo). Mas sem dúvida que o ponto mais forte é o desenvolvimento da história, a forma como vamos recebendo as pistas, como coisas que à primeira vista não fazem sentido vão sendo explicadas e como, no fim, tudo se junta para nos entregar um final mais que satisfatório.

Recomendo fortemente que vejam este episódio, sejam fãs da série ou não, se bem que ficam avisados que não está livre da "campiness"  típica de Doctor Who (que nem todos estão preparados para aceitar). Ao fim e ao cabo, mesmo no seu melhor, Doctor Who não é Battlestar Galactica (se é isso é bom, mau ou indiferente deixo que cada um decida).

sábado, 16 de julho de 2011

O Santo (1962-1969)


Juntamente com a "The Avengers" esta é uma das séries britânicas mais conhecidas no nosso país. E por uma boa razão.
Obviamente, não vi a série quando foi cá transmitida originalmente, pois ainda não tinha nascido. Só a apanhei na década passada, em reposições na RTP Memória. Mas vale bem a pena ver. Na minha opinião, Roger Moore está melhor nesta série que em qualquer um dos filmes do James Bond (e não só) em que eu o vi. Quase parece ter nascido para desempenhar o papel do Simon Templar (a personagem principal). No geral, as histórias são interessantes e o preto e branco amplia o charme de toda a série (nas primeiras épocas, pelo menos. A série passou a ser filmada a cores a partir da 5ª época). Outro elemento notável é o aspecto estilizado de toda a série, devido ao facto de ter sido filmada quase exclusivamente em estúdio. Um episódio passado na Escócia é especialmente memorável devido a isto.

Se tiverem a oportunidade, recomendo que vejam O Santo. Ultrapassem os preconceitos que existem actualmente sobre séries antigas a preto e branco. Vão ver que não se arrependem.