sábado, 19 de julho de 2014
"The Sensorites" "Doctor Who" (1964)
Os fãs da nova série do Doctor Who poderão lembrar-se de uma referência feita no episódio "Planet of the Ood" a um planeta chamado "Sense-Sphere". É nesse planeta que se passa este seriado da série clássica, transmitido 44 anos antes.
Esta é uma das minhas histórias favoritas do primeiro doutor. Ao contrário do que acontece com outros seriados de seis episódios, aqui não existem episódios pouco relevantes só para encher a programação. O guião é dos melhores desta época com uma pequena conspiração que se vai revelando aos poucos e um final bastante interessante e algo surpreendente. O trabalho de cenografia também é excelente e confesso que houve vários cenários que me fascinaram, enquanto os actores fazem um trabalho competente, sendo, como é usual, Carole Ann Ford (a neta do Doutor) o elo mais fraco. Até o desenho dos alienígena (os "sensorites" do título) está relativamente bem feito se tivermos em contas as limitações da época e a sua primeira aparição chega a ser assustadora..
Se só poderem ver um episódio do primeiro Doutor, recomendo que seja este.
domingo, 13 de julho de 2014
Central Comics Fest 2014
Ontem estive no Porto na Central Comics Fest e devo dizer que saí de lá bastante agradado. Fora destes eventos, é difícil ter noção do interesse que existe em Portugal sobre este tipo de temática e, embora muito do que vi se centrasse mais no Anime e Manga, havia espaço para todas as expressões da cultura geek. Imaginem que até encontrei uma novela gráfica publicada pela Black Library sob chancela da há muito defunta "Warhammer Monthly".
Porém, embora me tenha divertido a assistir ao evento, fui lá especialmente para a apresentação do projecto Comandante Serralves, cuja primeira antologia inclui um conto da minha autoria. A hora já era tardia e o público escasso, mas foi uma excelente oportunidade para treinar os meus (poucos) dotes de apresentação.
Tenho de dar o meus parabéns à organização do evento. No próximo ano, se se repetir, lá estarei, com ou sem projecto para apresentar.
domingo, 15 de junho de 2014
Neverwhere (2013) (drama audio)
A imagem acima é da capa do dvd de uma série relativamente obscura dos anos noventa criada por Neil Gaiman e Lenny Henry e transmitida na BBC2. Embora ainda não tenha tido a oportunidade de ver a série televisiva, a minha recente curiosidade por dramas audio levou-me a experimentar a adaptação para radio de 2013.
A primeira coisa que salta à vista nesta produção, para além do nome de Neil Gaiman, é o elenco. Nomes como James McVoy, Natalie Dormer, Benedict Cumberbatch, Anthony Head, Christopher Lee, entre outros, não serão estranhos à maioria dos amantes de cinema e TV. Como seria de esperar de actores de renome como estes, todos fazem um excelente trabalho, mas penso que Head como Mr. Croup, Cumberbatch como Islington e David Harewood como Marquês de Carbás merecem especial destaque. Confesso que, de início, estranhei as representações exageradas, necessárias num meio em que não existe a imagem para ajudar actores, mas rapidamente me habituei.
A par com os actores, a personagens são provavelmente o melhor da produção. São, no geral, originais, com personalidades bastante distintas e com diálogos que, em alguns momentos, chegam a ser geniais. O mesmo se pode dizer do universo criado. Por outro lado, o argumento não é particularmente impressionante. Não é original, nem surpreendente e, embora faça o seu trabalho de conduzir as personagens do princípio ao fim da história, não me entusiasmou particularmente. Esperava mais de Neil Gaiman neste departamento.
No geral é um drama áudio interessante, que merece ser ouvido que mais não seja pelas interpretações das personagens. Pessoalmente, marcou-me por ter sido o meu primeiro drama áudio, que depois me conduziu a obras dentro do meio que me agradaram mais (nomeadamente as produções de Doctor Who da Big Finnish).
Não posso finalizar esta curta opinião sem falar um pouco do formato drama áudio em si. Embora no Reino Unido pareça ainda ter bastantes adeptos, em Portugal já foi há muito esquecido e chega até a ser vilipendiado como uma forma menor de contar histórias, quando comparado com os meios mais visuais. Pessoalmente, fiquei bastante surpreendido com a capacidade das representações e dos efeitos sonoros criarem imagens na minha mente, mesmo ao ouvir as produções em paralelo com outras actividades. São ideais para ocupar os momentos mais mortos do dia, como a corrida matinal ou a ida para o emprego/escola. São também óptimos para aqueles, como eu, que não conseguem ler e nem sequer olhar para um iPod em transportes públicos sem ficarem enjoados. Depois de Neverwhere, os dramas áudio entraram na minha vida e duvido que voltem a sair. Recomendo a todos que esqueçam os pre-conceitos e lhes dêem uma oportunidade.
A primeira coisa que salta à vista nesta produção, para além do nome de Neil Gaiman, é o elenco. Nomes como James McVoy, Natalie Dormer, Benedict Cumberbatch, Anthony Head, Christopher Lee, entre outros, não serão estranhos à maioria dos amantes de cinema e TV. Como seria de esperar de actores de renome como estes, todos fazem um excelente trabalho, mas penso que Head como Mr. Croup, Cumberbatch como Islington e David Harewood como Marquês de Carbás merecem especial destaque. Confesso que, de início, estranhei as representações exageradas, necessárias num meio em que não existe a imagem para ajudar actores, mas rapidamente me habituei.
A par com os actores, a personagens são provavelmente o melhor da produção. São, no geral, originais, com personalidades bastante distintas e com diálogos que, em alguns momentos, chegam a ser geniais. O mesmo se pode dizer do universo criado. Por outro lado, o argumento não é particularmente impressionante. Não é original, nem surpreendente e, embora faça o seu trabalho de conduzir as personagens do princípio ao fim da história, não me entusiasmou particularmente. Esperava mais de Neil Gaiman neste departamento.
No geral é um drama áudio interessante, que merece ser ouvido que mais não seja pelas interpretações das personagens. Pessoalmente, marcou-me por ter sido o meu primeiro drama áudio, que depois me conduziu a obras dentro do meio que me agradaram mais (nomeadamente as produções de Doctor Who da Big Finnish).
Não posso finalizar esta curta opinião sem falar um pouco do formato drama áudio em si. Embora no Reino Unido pareça ainda ter bastantes adeptos, em Portugal já foi há muito esquecido e chega até a ser vilipendiado como uma forma menor de contar histórias, quando comparado com os meios mais visuais. Pessoalmente, fiquei bastante surpreendido com a capacidade das representações e dos efeitos sonoros criarem imagens na minha mente, mesmo ao ouvir as produções em paralelo com outras actividades. São ideais para ocupar os momentos mais mortos do dia, como a corrida matinal ou a ida para o emprego/escola. São também óptimos para aqueles, como eu, que não conseguem ler e nem sequer olhar para um iPod em transportes públicos sem ficarem enjoados. Depois de Neverwhere, os dramas áudio entraram na minha vida e duvido que voltem a sair. Recomendo a todos que esqueçam os pre-conceitos e lhes dêem uma oportunidade.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
"Battlestar Galactica: Blood & Chrome" (TV) (2013)
"Blood and Chrome" é uma prequela da nova "Battlestar Galactica" passada durante a primeira guerra contra os cylons. Originalmente uma série exclusiva para a web, foi posteriormente condensada num filme e transmitida no Syfy, tendo sido esta a versão que vi.
Honestamente, penso que só a nível dos efeitos especiais se compara com a série mãe (até porque me parece que muitos dos modelos usados foram emprestados por esta).
O guião é bastante simples, longe da complexidade que Galactica nos habituou e, embora esteja uns furos acima dos filmes manhosos a que o Syfy nos habituou no últimos anos, está longe de ser genial. É apenas uma história de FC relativamente "standard" e pouco original passado no universo de Galactica. Talvez o ponto mais interessante seja a tentativa algo básica de fazer a ponte entre "Caprica" e "Battlestar Galactica".
Também não posso dizer nada de positivo sobre as representações. Os actores não me pareceram particularmente bons e isso notava-se bastante. O fosso, a este nível, entre "Blood and Chrome" e as outras séries do franchise é absolutamente colossal. Destaco, pela negativa, Luke Pasqualino como Adama, que nunca nos faz acreditar que se trata da mesma personagem interpretada por Edward James Olmos.
Esta série/filme é apenas obrigatória para os fãs do franchise. Todos os outros podem ignorá-la a menos que tenham um par de horas para queimar. Neste último caso, não será a pior escolha que poderiam fazer.
domingo, 23 de março de 2014
"Frankenstein" Mary Shelley
Frankenstein dispensa apresentações. Um clássico da literatura de terror de que poucos não terão ouvido falar. Porém, como eu suspeitava, a ideia que popularmente se faz de Frankenstein deve mais aos filmes da Universal do que ao livro, sendo, neste aspecto, similar àquele outro clássico da literatura de terror, Drácula.
O livro é bastante diferente da maior parte das adaptações cinematográficas (talvez sendo a de Kenneth Branagh a que fica mais próxima). Enquanto os filmes geralmente de forma a focar os efeitos especiais e a caracterização, se centram na "ciência" e no aspecto do monstro, o livro não. Como bom exemplo disso temos a cena em que o monstro é animado, um dos pontos fulcrais de todos filmes, mas que aqui passa tão depressa e com tão pouca pompa que mal damos por ela.
O livro centra-se mais nos pensamentos das personagens, no entusiasmo e posteriores remorsos de Vítor Frankenstein e no conflito interno quanto às responsabilidades que tem pelo acto da sua criação; na dor do monstro que, como uma criança abandonada, vai aprendendo a perceber o mundo e depois se vê rejeitado por este devido ao seu aspecto e como isso o torna amargo e vingativo; a necessidade de Walton de encontrar um amigo que partilhe os seus sentimentos e como o encontra em Vítor, para depois o perder. E é também aqui que encontrei o elemento de terror no livro, não no aspecto horrível do monstro ou da sua existência contra-natura, mas sim no sofrimento das personagens, na capacidade que a sociedade tem de criar monstros e no preço que há a pagar por isso.
É um livro que devia ser lido por todos, não só os fãs do género, pois todos podem aprender algo com ele, não só com a sua mensagem central, como nas muitas outras que por ele estão espalhadas e até nas inúmeras referências a obras clássicas. Sem dúvida, uma leitura obrigatória.
Opinião sobre a "Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia, Volume I"
No blog intergalacticrobot podem encontrar uma opinião à "Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia, Volume I" onde se inclui o meu conto "Uma Demanda Literária".
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Batalha do Pacífico (2013)
"Um grupo armado com robôs gigantes enfrenta monstros alienígenas saídos de um portal no fundo do Pacífico" é, basicamente, a premissa deste filme. Pode não parecer muito original e, sejamos honestos não o é. Porém, não é por isso que deixa de ser um dos filmes que mais me entusiasmou nos últimos tempos.
A história em si não é particularmente interessante, segue a estrutura geral comum à maior parte dos filmes de acção. Mas é a construção do universo, a sensação de que existe um mundo muito além do que nos é mostrado e uma história passada rica o que verdadeiramente nos conquista neste filme. Já há muito que um filme não me puxava tanto para o interior do seu universo ficcional. Tivesse eu mais tempo, mergulharia de bom grado no (pouco) material de universo estendido que existe.
As personagens estão bem construídas e são bastante distintas, com personalidades bem vincadas, o que vai ao encontro aos filmes e, principalmente, das séries de animação em que se inspira
E não se pode falar neste filme sem falar nos efeitos especiais e nas cenas de acção, capaz de transformar qualquer um que tenha crescido com, digamos, "Saber Rider", "Power Rangers" ou "Voltron" outra vez numa criança colada à televisão à espera que o seu robô favorito execute o seu "signature move".
Não sendo brilhante nem indispensável, "Batalha do Pacífico" é um dos filmes mais divertidos que vi em 2013 e fará as delícias de qualquer um que tenha crescido com as séries animadas de robôs gigantes ou com "Tokusatsu ".
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