segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Balanço (da escrita) do ano

Hoje, 2012 chega ao fim. Olhando para trás, é com prazer que vejo que foi provavelmente o meu melhor ano de escrita.

Embora tenha recebido algumas rejeições (o que não é necessariamente mau), foi o ano em que mais textos meus foram publicados/aceites. No início do ano, vi publicada uma reedição de "O Último" (originalmente publicado em 2009) na há muito esperada antologia Vollüspa. Ainda no âmbito desse projecto, escrevi a vinheta "As Perguntas que Atormentavam Pavel Karelin" para ajudar na divulgação (já agora, decidi escolher esse nome como um pequeno tributo ao jovem atleta de saltos de esqui russo, Pavel Karelin, que morreu num acidente de viação aos 21 anos).
Também no início do ano, o meu micro-conto "Vida Nocturna" foi um dos dez (de entre 280) seleccionados para ser exposto no campus do IST no Taguspark. Foi também publicado na Revista Bang n.º 13, o meu primeiro texto a entrar nesta publicação que sigo desde o início.
Em Setembro, durante a Euro Steam Con do Porto, foi lançado o Almanaque Steampunk 2012, onde se inclui um agregado de notícias fictícias da minha autoria intitulado "Portugal e o Mundo Interior". Foi nesse evento que tive a minha primeira sessão de autógrafos, juntamente com os restantes autores do almanaque, uma experiência interessante, tornada ainda melhor pela oportunidade que tive de rever amigos e conhecer pessoas que ainda apenas tinha visto na iternet.
Cerca de dois meses mais tardes, no Forum Fantástico (ao qual, infelizmente, não consegui ir), foi lançada a antologia "Lisboa no Ano 2000 - Uma Antologia Assombrosa Sobre uma Cidade que Nunca Existiu", onde se inclui um outro conto meu intitulado "Fuga", embora o livro só chegue às livrarias no início do próximo ano.
Também para o início de 2013 está planeado o lançamento da Fénix Fanzine n.º 2, onde, mais uma vez, vão poder encontrar um conto meu, o "Uma Demanda Literária".

Mas não foi só em termos que publicações que o ano que hoje termina foi um dos melhores para a minha escrita. 2012 foi dos anos em que mais escrevi. Para isto contribuiu o facto de eu ter encontrado a rotina de escrita mais apropriada para mim, que maximiza o uso das alturas do dia em que sou mais produtivo.

Gostaria, também, de referir que foi este o ano em que finalmente instalei o Linux na minha "Máquina de Escrever" (um computador que tenho aqui isolado do mundo que só uso para a escrita). Embora isso pouco contribua para a minha produtividade (bem sei que o interface livre de distracções do Gnome 3 e algumas funcionalidades do Libreoffice, como o autocomplete, me ajudam a escrever um pouco mais, mas acho que o efeito é mínimo) dá-me, como informático, um enorme prazer saber que praticamente só uso software livre em casa.

Depois deste pequeno balanço, resta-me apenas esperar que o ano de 2013 seja ainda melhor para a minha escrita e que esta chegue ainda mais alto. Daqui a um ano, aqui nos encontramos para ver se assim foi.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Doctor Who - A Christmas Carol (2010)


Vi pela primeira vez este episódio, o especial de Natal de 2010 do Doctor Who, no final do Verão e prometi a mim mesmo nessa altura revê-lo quando a época natalícia chegasse. Foi o que fiz, e desconfio que se juntará ao meu rol de tradições natalícias.

De todos os especiais de natal de todas as séries que já vi, este é provavelmente do que mais gostei. É praticamente impossível não nos sentirmos novamente uma criança durante estes 60 minutos passados à frente da televisão, tão maravilhosos são, mas mesmo se desligarmos a nossa criança interior continua a ser um episódio brilhante.

Como o próprio título indica, a história é baseada no clássico de Dickens, cuja estrutura se adapta particularmente bem ao Doctor Who devido ao uso de viagens no tempo, e encontra-se extremamente bem contada, mostrando uma vez mais porque Steven Moffat é considerado um dos melhores escritores para televisão da actualidade. Todo o ambiente é bastante imaginativo, até para os padrões do Doctor Who. As prestações dos actores é competente, até a da inexperiente Katherine Jenkins, mas o veterano Michael Gambon destaca-se e o seu  Kazran Sardick é uma das memoráveis personagens de todo o Doctor Who. A banda sonora é excelente, melhor que a de uma boa parte dos filmes que têm passado nos cinemas, e o mesmo pode ser dito da cenografia, da cinematografia e dos efeitos especiais.

É um episódio que merece ser visto por todos os fãs da série, e acredito que poderá impressionar até os não fãs. Recomendo-o vivamente.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Opinião sobre o Almanaque Steampunk 2012


No blog jakolta podem encontrar uma opinião detalhada sobre os vários textos do Almanaque Streampunk 2012, incluindo o meu intitulado "Portugal e o Mundo Interior".

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Forum Fantástico 2012

O Fórum Fantástico 2012 começa na próxima sexta feira. Podem encontrar o programa aqui.

Infelizmente, ainda não será este que terei a oportunidade de lá. Porém, no sábado, serão apresentados dois projectos que incluem textos meus.

O primeiro é o "Almanaque Steampunk 2012", lançado em Setembro na Euro Steam Con do Porto, onde se inclui o meu texto "Portugal e o Mundo Interior".


O segundo é a antologia "Lisboa no Ano 2000" organizada por João Barreiros, e onde poderão encontrar o meu conto "Fuga".


Se forem mais sortudos do que eu e poderem aparecer no evento, não hesitem.

sábado, 3 de novembro de 2012

O Poder (cultural) do Metal

Quando se fala de metal (o género musical, entenda-se) o que vem à mente da maioria das pessoas é o Glam Metal dos anos oitenta ou a imagem de cabeludos vestidos de negro a propagar ideais satânicos (ou talvez uma ou outra banda da vaga de nü metal da viragem do milénio). Porém, esta é uma imagem extremamente redutora do género. O metal é um género musical vastíssimo, quer a nível temático, quer a nível da sonoridade, e que contribui grandemente para a cultura geral do ouvinte.

Pensemos, por exemplo, em quantas pessoas nunca teriam ouvido falar na Batalha de Wizna se não fosse a música 40:1 dos Sabaton, ou na de Paschendale se não fosse a música homónima dos Iron Maiden, ou até nas viagens dos vikings pela europa oriental se não fosse o álbum dos Turisas "Varangian Way". A quantas pessoas não terão estas (e muitas outras músicas) despertado um interesse pela história?
Enquanto a história, em especial a vertente bélica, é uma temática popular, o metal não se fica por aí. As referências literárias são também bastante comuns, de Tolkien e Lovecraft a Dickens e Shakspeare, encontramos um pouco de tudo. Iron Maiden, Blind Guardian, Battlelore, Bal Sagoth e Nightwish são apenas algumas das muitas bandas que fazem referência á literatura ou foram claramente influenciados por ela. Como escreveu Fernando Ribeiro (vocalista dos Moonspell) na revista Bang! n.º11 "... os [Iron] Maiden tiveram o condão de pôr milhares a saber de cor extensas partes deste poema [The rhyme of the ancient mariner], conseguindo, pelo talento do seu metal, o que a maior parte dos programas absurdos de educação, pensada por tecnocratas durante férias caribenhas pagas pelos contribuintes, não conseguiram".
Nem mesmo os escândalos políticos e económicos escapam às bandas de metal, como prova a música "Be Quick or Be Dead" dos Iron Maiden, cuja letra nos fala de vários escândalos passados no início dos anos oitenta.
E estes são apenas alguns exemplos da inúmeras temáticas abordadas no género e que contribuem para a cultura geral do ouvinte. Existem muitos mais, desde a mitologia à crítica social, e basta fazer uma rápida busca na internet para os encontrar.

Mas não é só a nível lírico que o metal contribui para a cultura dos seus fãs, também o consegue a nível sonoro. O metal tem, à partida, e apesar de encontrar as suas raízes na música popular, nomeadamente no Rock and Roll, influências advindas da música clássica que qualquer pessoa com um ouvido mais ou menos apurado consegue descortinar. Porém, é tendência do metal se misturar com outros géneros musicais (e existem combinações de metal com praticamente tudo) que mais ajuda a alargar o horizonte musical dos ouvintes do género. Basta ler algumas entradas em certos forums na Internet para perceber que bandas de metal sinfónico como Rhapsody of Fire, Nightwish e Epica levaram várias pessoas à música clássica, e que bandas de folk metal como Cruachan, Finntroll e Elvenking fizeram o mesmo pela música celta, a polka e a música folk no geral. Novamente, estes são apenas alguns exemplo. Poderá ser dito algo semelhante de muitos outros géneros e bandas.

Em conclusão, o metal é um género musical muito mais rico do que a maior parte das pessoas parece pensar. E se compreendo que nem toda a gente goste da sua sonoridade agressiva, penso que é um erro crasso simplesmente relegá-lo ao estatuto de barulho sem qualquer valor cultural.

sábado, 13 de outubro de 2012

A Rosa Branca


Este é o terceiro livro da série da companhia negra e o último dos Livros do Norte. Aqui, tramas que se haviam antes tocado cruzam-se por fim, amigos reencontram-se, a história do que se passou para dar origem aos acontecimentos do primeiro livro é explicada e a "vilã" mostra que não é bem aquilo por que se tenta fazer passar.

Neste livro, mantêm-se os elementos característicos da série, sendo o mais notável o estilo narrativo e de escrita que se assemelha mais ao de um romance militar (não consegui deixar, em algumas passagens, de recordar os livros da colecção de Guerra e Espionagem da Europa América) que ao de um romance de fantasia. Mantém-se, também, a natureza cinzenta do mundo em que se passa história.

Penso que este será o livro mais imaginativo dos Livros do Norte, em particular nas passagens que descrevem as Planícies do Medo e as descrições de algumas das batalhas, que, usando apenas elementos da literatura de fantasia, nos conseguem remeter para a Guerra do Vietname. O final também merece destaque devido ao seu impacto emocional, talvez um dos mais fortes que me lembro de ler no género.

No geral, é um livro bem escrito e entusiasmante, onde se percebe perfeitamente porque Glen Cook, apesar da sua relativa obscuridade, é considerado um dos principais percursores da fantasia moderna. Recomendo vivamente a leitura deste livro (e dos restantes da série) a todos os fãs do género.