domingo, 18 de março de 2012

A Queda de Babbulkund


Este é o segundo conto incluído no livro de Lord Dunsany "A Espada de Welleran e Outras Histórias". É uma história onde se vêem claramente as características identificativas da escrita Dunsany: uma prosa com uma sonoridade e ritmo quase etéreos e numerosas descrições maravilhosas e inspiradoras. Infelizmente, este conto pareceu-me mais fraco que o primeiro do livro "A Espada de Welleran". De facto, de todos os contos que li de Lord Dunsany, este foi o que me agradou menos. A meu ver, o problema é que a história pouco mais é que uma sucessão de descrições, com pouca acção e um desenvolvimento. Embora as descrições do deserto e, principalmente, da cidade de Babbulkund me terem fascinado, preciso que uma história tenha algo mais.

Que eu saiba, nenhuma das histórias deste livro de contos foi publicada em português europeu, mas podem encontrá-las gratuitamente em inglês aqui.

sábado, 17 de março de 2012

A Vollüspa já está disponível

Após alguns anos de espera, a Vollüspa está finalmente disponível. Inclui uma reedição do meu conto "O Último". Podem comprar a Vollüspa aqui por apenas 13€. Podem também ler algumas fascinantes vinhetas promocionais sobre esta antologia no Correio do Fantástico sem pagar um tostão.

Já se encontram online várias opiniões sobre esta antologia. Seguem-se os links.

Falling Into Infinity
O Bug Cultural
Illusionary Pleasure (inclui opiniões detalhadas sobre cada conto, incluindo o meu)

Do blog "Que a Estante nos Caia em Cima" (a terceira parte inclui uma opinião sobre o meu conto, "O Último")

Primeira parte
Segunda parte
Terceira parte

Do blog "Morrighan"  (a terceira parte inclui uma opinião sobre o meu conto, "O Último")

Primeira parte
Segunda parte
Terceira parte

sábado, 3 de março de 2012

O Preço da Cultura

Estou neste momento à espera que abram as inscrições para um curso gratuito sobre a história de Braga. Entretanto, leio o programa cultural da cidade para este mês. Ao ver as diversas ofertas gratuitas e/ou a baixo preço, lembrei-me da recorrente queixa de que a cultura em Portugal é cara. Eu, porém, pelas experiências que tenho tido, não posso concordar. Vejamos, então:

Nos últimos três anos, assisti a dezenas de sessões gratuitas de cinema, onde se mostrou de clássicos de Hollywood a filmes independentes de todo o mundo e até um ou outro blockbuster recente.
No ano passado, entre as feiras do livro de Braga e Viana do Castelo, comprei onze livros (ficção e não ficção) e gastei apenas dezoito euros (sim, menos de dois euros por livro). Assisti ao festival internacional de música "folk", que era de entrada livre. Visitei ou revisitei mais de uma centena de monumentos nacionais (e alguns no país ao lado), muitos deles recheados com arte de diversas expressões.
E já perdi a conta ao número de exposições a que fui. Só esta semana vi três pequenas mostras de arte. E só não assisti a uma leitura de "Ifigénia em Áulis" de Euripides (também grátis) devido a uma dor de cabeça inesperada.

E estes exemplos são apenas aqueles de que me lembro neste momento. Haverá muitos outros. Isto para não falar de outros recursos culturais gratuitos, como as bibliotecas municipais ou o canal de televisão de sinal aberto rtp2 (onde passam inúmeros programas culturais, documentários, séries de qualidade e cinema de todo o mundo). E se pensar, então, em recursos online (LEGAIS) estava aqui o dia todo para listar os links.

Dados todos estes exemplos de cultura gratuita/baixo custo, não consigo, em boa fé, concordar com a ideia de que a cultura em Portugal é cara.

Mas porque subsiste, então, esta queixa? Será apenas mais uma das incontáveis queixas que as pessoas repetem sem pensar? Haverá falta de divulgação das fontes de cultura acessíveis? Terá chegado à cultura a popular, mas a meu ver falaciosa, ideia de que o preço é proporcional à qualidade? Ou os queixosos, quando pensam em cultura, lembram-se apenas dos livros/filmes/espectáculos/etc... da moda no momento (esses sim, geralmente caros) e esquecem (ou desprezam) os eventos/artistas/produtos menos conhecidos e os milénios de produção cultural a que hoje temos acesso a baixo custo?
O que acham?

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Colóquio "Dracula and the Gothic in Literature, Pop Culture and the Arts" na Universidade do Minho


Para celebrar o centésimo aniversário da morte de Bran Stocker, a Universidade do Minho organiza este colóquio, que ocorre nos dias 29 e 30 de Junho. As inscrições ainda não estão abertas, mas já aceitam propostas para apresentações. Mais detalhes aqui.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A Guerra dos Tronos - Época 1 (2011)


Eu sempre gostei das seŕies da HBO, em particular do drama histórico Roma. Por isso, era com grandes expectativas que aguardava esta série. E não foram defraudadas.
A história deste série segue de perto a dos livros, sem grandes desvios por parte dos argumentistas. De facto, algumas cenas são tiradas linha a linha dos livros, incluindo os fabulosos diálogos. Os actores, dos mais experientes aos iniciantes, desempenham os seus papeis de forma competente, quando não fabulosa. Visualmente, também não há nada a apontar, do guarda roupa, aos efeitos especiais (o Eyrie, mais do que a muralha em si, ficou-me gravado na memória). Banda sonora boa. Até a sequência de abertura é fantástica, uma das melhores que me lembro de ver.

Depois, vêm as inevitáveis comparações com os livros. Existem diferenças, obviamente, nem tudo o que se faz num livro se pode fazer numa série de TV. Uma das que mais salta à vista é o facto que quase todas personagens envelheceram. Dada as cenas de violência e cariz sexual, isso não me espanta, especialmente numa série americana. Nunca passariam pelos censores se fossem filmadas como estão escritas nos livros (para quem não leu o livro, a Daenerys, no tempo em que se passa a série, tem apenas treze anos).
Além desta diferença mais óbvia, existem imensos detalhes sobre a história e sobre o mundo que ficam de fora na série. Nenhum deles é essencial, se bem que alguns explicariam melhor o que ocorre no ecrã, apenas nos dão uma melhor imagem das personagens e do mundo, mas não havia maneira de os filmar, pelo menos não sem quebrar completamente o ritmo da série. E, a meu ver, é aqui que surge o problema. Não com a série, que é uma das melhores que já vi, mas sim com o próprio meio, com a televisão. É impossível explorar convenientemente um mundo tão vasto, uma história tão intrincada, umas personagens tão complexas (e numerosas) em dez episódios de 45 minutos. Não me entendam mal, eu adorei a série, não tarda vou adicioná-la à minha colecção de DVDs, mas não passa de uma mera sombra dos livros.

Num tempo em que muita gente prefere o imediatismo do cinema ou da televisão à mais demorada leitura de um livro, esta série dá-nos um excelente argumento com que defender a literatura. "A Guerra dos Tronos" da HBO é uma série magnífica que nos entusiasma e agarra ao ecrã, mas ler os livros de George Martin é uma experiência transcendental que é impossível capturar em qualquer outro meio.

Vejam a série, vale bem a pena, mas não passem ao lado dos livros. Valem todas as horas neles investidos.

Deixo-vos, agora, com o trailer da segunda época desta série, a estrear em breve.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Rios de Prata


Este é o segundo livro escrito por R.A. Salvatore sobre o famoso elfo negro Drizzt Do'Urden (mas quinto na cronologia da personagem). A meu ver, o principal destaque deste livro é a introdução do assassino Artemis Entreri, o arqui-inimigo de Drizzt. Uma das personagens mais bem conseguidas de todo o universo dos "Forgotten Realms", rivaliza hoje em popularidade com o próprio elfo negro. Trata-se de um reflexo sombrio de Drizzt, e a interacção e inevitáveis comparações entre as duas personagens são dois dos pontos que torna toda a saga tão interessante para tanta gente.
Os amigos de Drizzt são, também, aqui mais explorados que anteriormente, em particular a Catti Brie, se bem que Artemis Entreri rouba-lhes uma boa parte do protagonismo.
A história não é particularmente original e, ao contrário de "O Fragmento de Cristal", mostra muitas semelhanças com "O Senhor do Anéis" em particular com "A Irmandade do Anel". Facto que, felizmente, se vê parcialmente compensado pela oportunidade que nos dá de explorar mais profundamente o norte dos "Forgotten Realms".
De resto, encontramos aqui todas as características típicas de Salvatore, como as cenas de batalha detalhadamente descritas e que fará as delicias de quem aprecia estes pormenores (particularmente a luta entre Entreri e Drizzt).

Não será um livro de leitura essencial, nem está no top cinco dos meus livros do Drizzt, mas vale a pena ler nem que seja só para descobrir Artemis Entreri.

"Rios de Prata" foi recentemente publicado em Portugal pela Saída de Emergência. Procurem esta capa nas livrarias.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Star Trek XI (2009)

AVISO: Contém spoilers.

Um reboot da série original que inicia um universo alternativo, este filme marcou o regresso do franchise Star Trek, depois da última série, a menos bem sucedida Star Trek: Enterprise, ter sido cancelada.
No geral, é um filme que aprecio bastante, apesar de ter aquele aspecto típico dos blockbusters americanos. Tem um enredo sólido, se bem que não é especialmente original ou surpreendente (mas faz imensas referências às séries de tv, uma delícia para os fãs), efeitos especiais de grande qualidade (algo a que o franchise já nos habituou à bastante tempo) e uma banda sonora simplesmente fenomenal.
Apenas duas partes do filme me deixaram algum dissabor. A primeira foi a cena em que o Kirk, o Sulu e um "Red Shirt" se lançam de para-quedas sobre os inimigos, pois despertou-me a repulsa que sinto pela prática comum em filmes americanos de tornar os filmes "radicais". A segunda foi o encontro entre o Kirk e o Spock vindo do futuro simplesmente pela muito improvável coincidência. Kirk não só caiu no mesmo planeta onde se encontrava Spock (o que até é explicável dentro do contexto do filme), como na mesma parte do planeta (o que já é mais difícil de explicar).

Penso que é um filme que agradará aos fãs do franchise (se bem que estes terão que se ajustar um pouco, já que Star Trek XI se foca mais na acção e menos no argumento, exactamente o contrário das séries e filmes anteriores) com as suas inúmeras referências à história canónica do universo, mas que não deixa de fora os restantes espectadores, até porque aqui o enredo e os sentimentos que o filme invoca estão mais próximos dos "blockbusters" "mainstream" do que em qualquer Star Trek anterior.
Fico curioso para ver como a história deste universo alternativo se desenvolverá no futuro. Infelizmente, ainda tenho muito que esperar, pois o próximo filme tem estreia marcada apenas para Maio de 2013.