sábado, 10 de dezembro de 2011

Solomon Kane (2009)


Esquecendo as inevitáveis diferenças que existem entre o Solomon Kane do filme e dos contos de Robert E. Howard, atrevo-me a dizer que este é um dos melhores filmes "pulpish" dos últimos anos. Não que seja um marco da história do cinema ou sequer um grande filme, mas, na minha opinião, encontra-se bem acima de outros mais conhecidos dentro do género, como "Clash of the Titans" ou "Van Helsing". A história não é excepcional, se bem que é mais do que a usual desculpa para colar as diferentes cenas de luta e/ou efeitos especiais, e permite desenvolver os dois elementos que realmente distinguem este filme dos outros do género.
O primeiro destes elementos é o desempenho de James Purefoy como Solomon Kane, provavelmente o melhor trabalho que já vi dele. Purefoy mostra-nos uma personagem tridimensional, cheia de conflictos internos, dúvidas, incertezas e sentimentos variados.
O segundo é o ambiente. Apesar do filme se passar na Inglaterra de Isabel I, o ambiente é brutalmente medieval, com uma abordagem de "sangue e lama" que raramente se vê no cinema hoje em dia. Tudo isto nos é mostrado com uma cinematografia que me parece bem acima da média.
Apenas o fim me deixou um certo dissabor, se bem que não consigo apontar exactamente o porquê. Talvez devido ao demónio em cgi, que parece deslocado num filme com este ambiente, mas não tenho a certeza.

Este é um filme que recomendo vivamente aos amantes dos filmes de acção com um "feel" das velhas histórias "pulp". Garanto que não se irão desiludir.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Opiniões Vollüspa



Para quem ainda não sabe, a Vollüspa é uma antologia de literatura fantástica onde se reúnem contos de autores já estabelecidos no género (como Afonso Cruz, Pedro Ventura e Luís Filipe Silva) com outros menos experientes e com menos publicações. Nela inclui-se um conto meu, uma reedição de "O Último", originalmente publicado na Antologia Talentos Fantásticos 2009.

Ainda não tem data de saída, mas o editor/organizador Roberto Mendes já enviou versões electrónicas da mesma para vários blogs literários. Como tal, já começaram a aparecer várias opiniões pela net, das quais se seguem os links:

Falling Into Infinity

O Bug Cultural

Illusionary Pleasure (Esta inclui opiniões especificas de cada conto, incluindo do meu)

sábado, 12 de novembro de 2011

O Mundo Perdido no Fundo do Mar


Este é um dos últimos romances de Arthur Conan Doyle publicados. Apesar do título ser uma clara tentativa de ligar esta história à muito mais conhecida "O Mundo Perdido", do mesmo autor, são substancialmente diferentes. De facto, a única coisa que têm em comum é a exploração de um mundo desconhecido para a maior parte do mundo, se bem que mundos bem diferentes. Se em "O Mundo Perdido" se explora um planalto onde a natureza se manteve como era há milénios atrás, aqui exploramos os sobreviventes de um dilúvio que destruiu a Atlântida, uma raça tecnologicamente superior às que habitavam a superfície na época em que o autor viveu, levando este livro para o campo da ficção científica que a maioria dos leitores identifica com o género.
Como na maior parte de livros de FC com uma certa idade, temos aqui uma excelente oportunidade de perceber como as gentes da altura viam o futuro, falando de tecnologias que se vieram a tornar reais (como as lâmpadas florescentes e a energia nuclear) e outras que acabaram por ser desacreditadas (como a existência do éter).
A história em si possui várias passagens bastante interessantes e descrições inspiradoras, fáceis de visualizar e entusiasmantes, mas penso que a característica que mais salta à vista é a sua estrutura incomum. A fase de preparação, ao contrário do que ocorre na maior parte dos livros do género (incluindo "O Mundo Perdido"), em que ocupa vários capítulos para preparar e entusiasmar o leitor para o resto da história, é aqui despachada em poucas páginas. Além disso, a história não é contada de uma só vez, com os capítulos finais contando situações e detalhando certos pormenores que são ignorados na primeira iteração.

Não sendo, a meu ver, uma leitura essencial, é um livro que se lê bastante bem, até porque não é muito longo. Se o encontrarem, como eu, numa qualquer feira do livro por 1€, sugiro que o comprem. Acho que vale a pena.

P.S. - Como nota final, gostaria aqui de referir a tradução da Argonauta, uma das piores que me lembro de ler. Curiosamente, o tradutor foi o mesmo de "O Mundo Perdido", cuja tradução era mais do que aceitável.

sábado, 5 de novembro de 2011

Doctor Who - Tooth and Claw (2006)


Este episódio de Doctor Who tem um significado especial para mim. Não foi o primeiro da série que vi (foi o terceiro), mas foi aquele que me conquistou e me fez fã. É verdade que, em retrospectiva, não é um dos melhores da série, nem um dos mais imaginativos. Na realidade, é uma história de lobisomens bastante vulgar, com o tradicional "twist" alienígena típico de Doctor Who. Porém, o ambiente está muito bem conseguido, assim como uso dos tropos e clichés deste género histórias (e conta com uma boa dose do humor que aprendemos a esperar desta série, que não se leva muito a sério). Penso que foi isto que me conquistou e me permitiu passar a olhar para o Doctor Who com outros olhos, tornando esta série que eu via com indiferença numa das minhas favoritas. Até já ando à procura dos dvds com os velhinhos episódios a preto e branco.

domingo, 16 de outubro de 2011

Pátria


Este é o primeiro livro da trilogia do Elfo Negro e a minha história favorita do Drizzt Do'Urden, o famoso elfo negro de R.A. Salvatore.

Aqui encontramos as características usuais da escrita de Salvatore, como as suas intrincadas e detalhadas descrições das batalhas, mas existem dois pormenores em particular que, na minha opinião, elevam este livro acima dos restantes que li da saga. Primeiro, as descrições fabulosas da cidade mãe de Drizzt, Menzoberranzan, e a sociedade que nela habita. Tendo sido este o romance que definiu a raça dos elfos negros nos Forgotten Realms, é aqui que mais se nota a verdadeira imaginação do autor, pois, que me lembre ou conheça, em mais nenhum dos seus livros teve que criar algo tão complexo de raiz como isto. Segundo, e de especial interesse para mim, o conflito interno de Drizzt, que se tenta constantemente convencer que a raça a que pertence não é intrinsecamente má, mas apenas um produto da sua história e do ambiente em que vivem. É nestas passagens que se percebe exactamente de onde vem a personalidade do Drizzt que conhecemos nos livros publicados anteriormente (mas posteriores na cronologia da saga).

Se apenas poderem ler uma das histórias de Drizzt Do'Urden, que seja esta. Não se arrependerão, garanto.

Este livro foi publicado em Portugal no ano passado pela Saída de Emergência. Procurem esta capa nas livraria.

sábado, 8 de outubro de 2011

Deadliest Warrior


Um "documentário" de entretenimento (com grande ênfase neste último componente) criado para responder às preces de todos os geeks de história militar. Em cada episódio,  guerreiros de épocas e locais diferentes enfrentam-se para determinar qual será o melhor. Os dados usados na simulação são obtidos a partir de testes executados às armas que ambos usavam (se bem que, na última época, outros factores também são levados em conta). No geral, este programa tem diversos problemas: as escolhas das armas e dos oponentes são muitas vezes discutíveis, os conhecimentos dos especialistas chamados para representar cada guerreiro são dúbios e a validade científica dos testes é, na melhor das hipóteses, reduzida. Felizmente, nem tudo é mal. A contextualização histórica feita pelo narrador é, geralmente, correcta, e o programa também é uma boa forma de conhecer novos guerreiros, culturas e armas. Também nos mostra uma maneira como estas últimas podem ser usadas, bastante interessante para quem apenas leu sobre elas e nunca as viu em acção. Por outro lado, do ponto de vista do entretenimento, há algo de viciante no Deadliest Warrior.

 Infelizmente, que eu saiba, nenhum canal em Portugal está a transmitir este programa e também não existe uma versão em DVD da zona 2. Resta-nos o download ou youtube. Nem todos conseguirão superar as inúmeras falhas históricas e até lógicas do Deadliest Warrior, mas dêem-lhe uma hipóteses. Pode ser que fiquem viciados.