sábado, 8 de outubro de 2011

Deadliest Warrior


Um "documentário" de entretenimento (com grande ênfase neste último componente) criado para responder às preces de todos os geeks de história militar. Em cada episódio,  guerreiros de épocas e locais diferentes enfrentam-se para determinar qual será o melhor. Os dados usados na simulação são obtidos a partir de testes executados às armas que ambos usavam (se bem que, na última época, outros factores também são levados em conta). No geral, este programa tem diversos problemas: as escolhas das armas e dos oponentes são muitas vezes discutíveis, os conhecimentos dos especialistas chamados para representar cada guerreiro são dúbios e a validade científica dos testes é, na melhor das hipóteses, reduzida. Felizmente, nem tudo é mal. A contextualização histórica feita pelo narrador é, geralmente, correcta, e o programa também é uma boa forma de conhecer novos guerreiros, culturas e armas. Também nos mostra uma maneira como estas últimas podem ser usadas, bastante interessante para quem apenas leu sobre elas e nunca as viu em acção. Por outro lado, do ponto de vista do entretenimento, há algo de viciante no Deadliest Warrior.

 Infelizmente, que eu saiba, nenhum canal em Portugal está a transmitir este programa e também não existe uma versão em DVD da zona 2. Resta-nos o download ou youtube. Nem todos conseguirão superar as inúmeras falhas históricas e até lógicas do Deadliest Warrior, mas dêem-lhe uma hipóteses. Pode ser que fiquem viciados.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Fell Cargo


Este foi o primeiro livro que li de Dan Abnett, geralmente considerado o melhor autor da Black Library, passado no mundo de Warhammer. Trata-se de uma história de piratas típica, com o tropos e clichés que estamos habituados a associar ao género, combinado com vários elementos sobrenaturais (temos vampiros, zombies, múmias e magia, entre outros). Existem certas semelhanças com o franchise Piratas das Caraíbas, embora esta história seja anterior, já que foi originalmente serializada na agora mais que defunta revista Inferno!. E é neste último facto que se encontra o principal ponto forte deste livro. Os capítulos, cada um correspondente ao texto publicado em cada revista, são curtos e, como acontece a em todos os bons seriais, deixam uma imensa vontade de continuar a ler. Não tendo que esperar dois meses pela continuação, acabamos por perder a noção do tempo (comecei a lê-lo às dez da noite e quando reparei eram quatro da manhã). Não sendo particularmente original nem  imprevisível (se bem que devo confessar que a espera para chegar a eventos que eu já sei que vão acontecer é das coisas que me dá mais prazer numa história) o estilo de escrita de Dan Abnett consegue entusiasmar e ajuda-nos ma superar esta viagem por terrenos mais ou menos conhecidos. Na minha opinião, este livro não é tão bom como a sua série Gaunt's Ghosts ou a trilogia Eisenhorn do universos Warhammer 40k, mas ainda assim merece uma leitura.

Se estiverem com vontade de ler uma história de piratas num mundo de fantasia, peguem neste romance. Não acredito que se venham a arrepender.

sábado, 27 de agosto de 2011

O Quinto Elemento (1997)


Já alguma vez vos aconteceu gostarem de um filme, mas não perceberem porquê? É o que me acontece com "O Quinto Elemento". Já vi o original dezenas de vezes e duas dobragens em línguas diferentes e consegue sempre ser uma experiência divertida.
O argumento não é nada de especial, aliás é bastante "standard" para este tipo de filmes, e o mesmo pode ser dito de quase todos os restantes elementos da produção. Mas não sei se é pelo humor, se pelo papel completamente "over the top" do Gary Oldman, se pela nostalgia que trás a combinação de inúmeros clichés e tropos dos filmes de acção, se por todas esta razões juntas, O Quinto Elemento consegue sempre cativar-me de uma forma que poucos filmes do género feitos nesta época conseguem.

O filme tem passado muitas vezes no Canal Hollywood ultimamente. Vejam quando o apanharem e digam-me se eu tenho ou não razão...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Fragmento de Cristal


Este livro tem um especial significado para mim, pois foi o primeiro livro de fantasia que li em inglês, já há mais de uma década atrás. Foi ele que me levou à leitura de muitos outros livros de fantasia, tanto dentro como fora do universo do Forgotten Realms, e não será exagero dizer que abriu um novo capítulo na minha vida.

Fragmento de Cristal foi o primeiro livro com Drizzt como personagem principal escrito por R.A. Salvatore (mas não o primeiro na cronologia da personagem) e o primeiro publicado por este autor, pelo que sofre de muitos dos defeitos típicos de uma primeira obra. Porém, não deixa de ser uma interessantíssima leitura, provavelmente uma das melhores na fantasia de aventura. Todas as personagens são tridimensionais, com os seus defeitos e virtudes. Obviamente que a Drizzt, o protagonista, é dado um maior relevo que às restantes (com a possível excepção de Wulfgar), mas estas últimas já começam a mostrar um pouco da personalidade que será mais plenamente revelada nos livros seguintes.
Uma das qualidades normalmente atribuídas à escrita de Salvatore, as batalhas extremamente detalhadas, está aqui bem presente. Contudo, não é só a descrição em si que torna a leitura destas sequências interessantes, mas também as situações escolhidas. As batalhas contra gigantes, ogres e até um dragão são capazes de entusiasmar qualquer leitor, independentemente da idade e experiências, capazes de se abrir à experiência.
A história, por seu lado, superficialmente semelhante à tradicional luta contra o senhor do mal, tem reviravoltas e desconstruções suficientes para manter o interesse mesmo dos leitores já fartos deste mais que batido tipo de confronto.

Não posso dizer que este seja o meu livro favorito do Drizzt (embora esteja no Top 5), mas é uma história essencial na cronologia desta que é uma das personagens mais famosas da fantasia épica actual e merece ser lido por qualquer fã do género.

Fragmento de Cristal foi recentemente publicado em Portugal pela Saída da Emergência. Procurem esta capa na vossa livraria de eleição.

sábado, 6 de agosto de 2011

A Companhia Negra


Este foi o primeiro livro que Glen Cook escreveu sobre a companhia negra, no agora distante ano de 1984. Quando comecei a lê-lo, a primeiro impressão com que fiquei foi de que estava a ler um dos livros da antiga colecção da Europa-América Guerra e Espionagem, e vim mais tarde a descobrir que tal era intencional.
Esta é uma história com uma moralidade bastante cinzenta. Os "heróis" (os membros da companhia) trabalham para o império da senhora negra, e fazem o que necessitam fazer para sobreviver e serem pagos. A maior parte dos vilões têm um lado humano, e a própria senhora negra parece não ser tão má como quer dar a perceber. Por fim, os rebeldes que combatem contra o império não são muito melhores que os vilões.
A história em si é das mais cativantes que me lembro de ler, com algumas reviravoltas e twists interessantes e bem conseguidas, personagens memoráveis (uma das quais morre nos primeiro capítulos, porque, aqui, qualquer um pode morrer) e um narrador pouco fiável (croaker, o doutor e historiador da companhia). Existem diversas cenas fantásticas, como a emboscada na floresta, ou os vários assassinatos contra os lideres dos rebeldes, ou a batalha final, para nomear apenas algumas.

Lembro-me de ler uma crítica de Jeff VanderMeer numa Realms of Fantasy antiga onde ele dizia que, apesar de Glen Cook não ser dos autores de fantasia mais conhecidos, influenciou muitos dos autores que trabalham actualmente no género. Depois de ler este primeiro livro da companhia negra (e os dois que lhe seguem) não tenho quaisquer dúvidas de que isso é verdade.

Podem comprar este livro em conjunto com os dois seguintes no omnibus mostrado abaixo. Encontram-no aqui, na Amazon UK.

sábado, 30 de julho de 2011

Shining Force II


Um velhinho RPG para a Mega Drive, que eu só joguei anos depois de sair e num emulador (nunca tive uma consola de jogos). Apesar da história ser a standard neste tipo de jogos (com uma ou outra pequena variação) e ter personagens bastante vulgares (já para não falar na tradução para inglês, que não era propriamente a ideal) tinha um ambiente e uma mecânica de jogo interessantíssima. A ideia de promover os soldados quando chegam a um certo nível (algo semelhante à ideia de evoluir dos jogos de pokémon) impelia-nos a continuar a jogar nos momentos em que a história não o conseguia fazer. Outra ideia interessante era a da base da shining force que aparece a partir de certo tempo de jogo, que por alguma razão me entusiasmava imenso.

Se nunca jogaram o jogo e precisam de matar algumas horas nestas férias, saquem um emulador e este jogo. Ou, melhor ainda, comprem uma Mega Drive Portable e levem o jogo para a praia ;)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Convidado de Drácula e Outras Histórias


Ano passado, lembrei-me de reler outro clássico da minha juventude: Drácula. Por coincidência, encontrei o livro mostrado em cima, que, para além do romance clássico de Bram Stoker, trazia também vários contos da sua autoria (incluindo quatro nunca antes publicados).
A história que dá nome a esta antologia "extra", "Dracula's Guest" é uma história interessante, com o mesmo estilo e espírito do romance original. Dizem que que foi um capítulo cortado do início de "Dracula", mas se isso é verdade, teria sido de uma versão mais antiga do romance, pois não se liga a este de forma muito óbvia. Também não é o meu conto favorito do conjunto.
Apreciei muito mais, por exemplo, a história de fantasmas "Judge's House", tradicional e interessante, ou a tragédia "The Coming of Abel Behenna", com um final capaz de chocar qualquer pessoa, ou o curioso "A Dream of Red Hands", com uma resolução muito bem pensada. Os restantes não serão merecedores de destaque, mas o único que me pareceu realmente fraco foi o "Chain of Destiny".


Se virem este livro na fnac, não deixem de o comprar. Por menos de 5€, é quase obrigatório.