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domingo, 23 de março de 2014

"Frankenstein" Mary Shelley


Frankenstein dispensa apresentações. Um clássico da literatura de terror de que poucos não terão ouvido falar. Porém, como eu suspeitava, a ideia que popularmente se faz de Frankenstein deve mais aos filmes da Universal do que ao livro, sendo, neste aspecto, similar àquele outro clássico da literatura de terror, Drácula.

O livro é bastante diferente da maior parte das adaptações cinematográficas (talvez sendo a de Kenneth Branagh a que fica mais próxima). Enquanto os filmes geralmente de forma a focar os efeitos especiais e a caracterização, se centram na "ciência" e no aspecto do monstro, o livro não. Como bom exemplo disso temos a cena em que o monstro é animado, um dos pontos fulcrais de todos filmes, mas que aqui passa tão depressa e com tão pouca pompa que mal damos por ela.

O livro centra-se mais nos pensamentos das personagens, no entusiasmo e posteriores remorsos de Vítor Frankenstein e no conflito interno quanto às responsabilidades que tem pelo acto da sua criação; na dor do monstro que, como uma criança abandonada, vai aprendendo a perceber o mundo e depois se vê rejeitado por este devido ao seu aspecto e como isso o torna amargo e vingativo; a necessidade de Walton de encontrar um amigo que partilhe os seus sentimentos e como o encontra em Vítor, para depois o perder. E é também aqui que encontrei o elemento de terror no livro, não no aspecto horrível do monstro ou da sua existência contra-natura, mas sim no sofrimento das personagens, na capacidade que a sociedade tem de criar monstros e no preço que há a pagar por isso.

É um livro que devia ser lido por todos, não só os fãs do género, pois todos podem aprender algo com ele, não só com a sua mensagem central, como nas muitas outras que por ele estão espalhadas e até nas inúmeras referências a obras clássicas. Sem dúvida, uma leitura obrigatória.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal



A Canção Errante de Natal
por Joel Puga

Com o som de flautas, a canção abriu os olhos. Estava num parque, rodeada de crianças a brincar e pinheiros cobertos com luzes multicoloridas.
Conforme as flautas construíam um crescendo, ela elevou-se acima da copa das árvores. Durante uns segundos de silêncio, ali ficou, parada, observando a cidade. Depois, iniciou-se uma batida ritmada, e a canção voou avenida abaixo. Havia pessoas por todo o lado, admirando as luzes nos arcos e nas fachadas dos edifícios, e, sempre que se cruzavam, diziam “Feliz Natal”.
Uma voz começou a cantar, acompanhando a batida, e a canção entrou num apartamento. Passou pelo pinheirinho, ornamentado com bolas, faixas e estrelas, e pelo pai, que preparava e decorava a mesa, até que chegou à cozinha, onde se sentia um cheiro a mel e a canela, e a mãe, ajudada por um rapaz e uma rapariga, preparava varias iguarias.
 Mal saiu do apartamento, a canção sentiu um forte impulso de ir para norte. Acima das nuvens, anjos contavam o pré-refrão, enquanto ela voava à velocidade do som.
Chegou ao pólo-norte, avistou a enorme fábrica do Pai Natal, e o refrão começou. Num gigantesco hangar, uma legião de diminutos elfos carregava com prendas centenas de trenós e alimentava as respectivas renas. Não muito longe, num anfiteatro, o Pai Natal original instruía os seus inúmeros clones e atribuía a cada um uma pequena parte da Terra. A canção até passou pela fenda que ligava o nosso mundo ao da imaginação, por onde, durante todo o ano, passavam os robôs gigantes, os dinossauros, os póneis cor-de-rosa e tudo o mais que os elfos usavam como modelo para os brinquedos que fabricavam.
O refrão terminou, e a voz começou a cantar um novo verso. A canção voltou ao sul, à cidade, onde a noite já havia caído. Pessoas sozinhas, casais, famílias inteiras andavam nas ruas, dirigindo-se às casas de familiares ou amigos. A canção viu-os ser recebidos com abraços e beijos, aos quais eles retribuíam com garrafas de vinho e travessas cheias de rabanadas, filhoses e sonhos.
No início de um novo pré-refrão, a canção entrou numa das casas. Viu adultos a falarem à volta da mesa, enquanto crianças brincavam debaixo dela. Alguém chamou da cozinha e alguns dos adultos deixaram a sala, voltando pouco depois com travessas cheias de bacalhau, polvo e peru. Todos se sentaram à mesa. Uma das mães acendeu as velas. E o refrão começou.
Durante horas, ficaram ali sentados, a comer, a conversar, a cantar músicas de Natal. No fim da refeição, ficaram em silêncio a ver um filme familiar. Até que chegou a hora das crianças irem para a cama. Os visitantes partiram, voltando para os respectivos lares, enquanto a mãe da casa foi deitar os filhos. Estes, a princípio, não conseguiam dormir, entusiasmados com as prendas que os esperariam de manhã no sapatinho, mas o cansaço acabou por os vencer. O refrão deu lugar ao solo. Durante a noite, todos os instrumentos conhecidos do homem tiveram o seu momento de ribalta.
A canção desceu à sala, chegando mesmo a tempo de ver um dos clones do Pai Natal teletransportar-se do telhado. Do saco, tirou duas prendas, pousando uma ao lado de cada um dos sapatinhos em cima da lareira. Depois, voltou a desaparecer.
Ao raiar do dia, as crianças acordaram, dando início ao refrão, correram escadas abaixo e abriram as prendas. Durante toda a manhã, brincaram com os novos brinquedos, enquanto o refrão se repetia uma e outra vez. Depois, chegou a hora do almoço. Com um talher numa mão e o novo brinquedo na outra, comeram as sobras da noite anterior, enquanto os pais se deliciavam com um prato de roupa velha.
O almoço prolongou-se até meio da tarde, quando os pais começaram a limpar a mesa. Foi então  que todos se aperceberam de que o Natal estava a chegar ao fim.
A última repetição do refrão deu lugar ao som de flautas. Exausta, a canção deixou a casa e flutuou de volta ao parque. Deitou-se debaixo dos pinheiros e, aos poucos, fechou os olhos, ansiosa por acordar de novo no próximo Natal.

FIM

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

"Herbert West – Reanimator" H.P. Lovecraft


Escrita como uma paródia a "Frankenstein", esta história é considerada como uma das piores do autor, inclusive pelo mesmo. Devo confessar que os elementos de paródia me escaparam, assim como não é uma das histórias do autor de que menos gostei, antes pelo contrário.

A influência de "Frankenstein" é inegável. Existem paralelismos óbvios entre as duas histórias, e as referências ao clássico de Mary Shelley são mais do que muitas. São porém, e embora partilhem a mesma ideia, no seu âmago, histórias diferentes. Enquanto em "Frankenstein" os aspectos mais mórbidos são deixados em segundo plano e se focaliza, em vez deles, os pensamentos e os sentimentos das personagens de forma a enquadrar moralmente a história e fazer passar a mensagem central, aqui tornam-se o centro das atenções. Não que não exista um aspecto moral em "Herbert West - Reanimator" na forma como nos são mostrados os pensamentos do narrador, o melhor amigo e assistente da personagem titular, mas as experiências e as criaturas que delas resultam são descritas com mais profundidade e estas são de uma natureza bem mais macabra. Nota-se que, ao contrário de "Frankeinstein", esta história foi criada principalmente para causar impressão e estranheza no leitor.

"Herbert West - Reanimator" consegue invocar com alguma eficácia terror e horror, e, embora a história seja contada em episódios temporalmente afastados, a evolução das personagens está bem conseguida. Mais talvez do que as criaturas e o desenrolar da história em si, o que mais me fascinou foi a forma como as experiências de West se tornam cada vez mais macabras e o narrador se horroriza cada vez mais com elas, ao mesmo tempo que se mostra incapaz de obrigar o amigo a parar ou sequer de o deixar.

Apesar de fraca recepção que teve, esta é uma das minhas histórias favoritas de H.P. Lovecraft e não foi só a mim que me fascinou, como provam as várias adaptações de que foi alvo.

sábado, 16 de novembro de 2013

sábado, 9 de novembro de 2013

Conto da Minha Autoria na "Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia - Volume II"


Foi lançada no passado dia 31 de Outubro o segundo volume da "Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia", dedicada ao Halloween, onde, entre outros contos de autores portugueses, brasileiros, espanhois e argentinos, podem encontrar um meu intitulado "A Pergunta". A antologia está disponível gratuitamente em formato digital no Smashwords.

domingo, 4 de agosto de 2013

Opiniões sobre a "Nanozine n.º 9" e a antologia "Lisboa no Ano 2000"


No blogue Leitora de Fim-de-Semana podem encontrar uma opinião em duas partes sobre todos os contos da antologia Lisboa no Ano 2000, incluindo o meu intitulado "A Fuga". Podem encontrar a primeira parte aqui e a segunda aqui.

Entretanto, também já podem encontrar opiniões sobre a Nanozine n.º9  no Goodreads, incluindo uma sobre o meu conto "A Máquina do Tempo". É só ir aqui.


domingo, 7 de julho de 2013

Fundação - Isaac Asimov


A série Fundação dispensa apresentações. É uma das mais importantes obras do autor de Isaac Asimov e uma das mais conhecidas de todo o género. Duvido que exista fã de fantástico que não tenha, pelo menos, ouvido falar nela.

Fundação é o primeiro livro que Asimov escreveu nessa série. Trata-se de uma colecção de cinco contos, alguns deles partilhando personagens entre si, que descrevem os eventos mais importantes dos primeiros (aproximadamente) 150 anos da Fundação, uma organização criada com o fim de reduzir o número de anos de barbárie que se seguem à caída do Império Galáctico.

Aqueles que esperam longas descrições de fantásticas naves, tecnologias incríveis ou estranhos mundos alienígenas ficarão desiludidos, assim como quem procura acção ao estilo das Space Operas. Estas histórias são mais políticas, cheias de guerras de interesses e manipulação, e onde a terceira lei de Clarke tem um papel predominante.

Tenho dificuldades em escolher um conto favorito de entre os cinco. Posso dizer que o terceiro e o quinto, talvez por serem os mais longos, envolveram-me mais, mas os restantes estão igualmente bem escritos e as situações que descrevem, juntamente com os brilhantes desfechos, tornam-nos leituras igualmente interessantes.

Convém notar que a tradução me pareceu competente. Está, certamente, acima da média da colecção Argonauta.

Se procurarem nas feiras do livro, conseguem encontrar a Fundação a um preço bastante em conta. Recomendo que o comprem e leiam. Não é só uma das obras de FC mais conhecidas de todos os tempos, é também um leitura extremamente interessante. Mal posso esperar para deitar as minhas mãos ao próximo livro da série: "A Fundação e o Império".

domingo, 21 de abril de 2013

Conto da minha autoria na "Antologia Fénix de Ficção Centífica e Fantasia - Volume 1"


O meu conto "Uma Demanda Literária", anteriormente publicado no número 2 da fanzine Fénix, foi recentemente reeditado na "Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia - Volume 1", onde também se incluem textos de diversos outros autores sobre o tema livros. Podem encontrar a antologia aqui em diversos formatos digitais.

Entretanto, a fanzine Fénix foi também nomeada na categoria de melhor fanzine dos ESFS Awards. A ISF, outra publicação portuguesa, está nomeada na categoria de melhor revista.

sábado, 9 de março de 2013

"Lisboa no Ano 2000" em Portugal e Lá Fora


A antologia "Lisboa no 2000", que inclui um conto meu intitulado "Fuga", tem aparecido na imprensa portuguesa e em blogues cá dentro e lá fora. Foi mencionada na revista Time Out Lisboa e, mais recentemente, teve direito a um artigo de três páginas no Diário de Notícias. Isto para não falar na ida do organizador, João Barreiros, à TVI24 para apresentar a antologia (infelizmente, o vídeo não se encontra disponível online).

Mas também lá fora se fala nela, mais precisamente no blogue Of Blog.

Finalmente, há relativamente pouco tempo, também foi publicada no blogue Bela Lugosi is Dead uma crítica à antologia.

Conto da minha autoria na "Fénix n.º2"


Já se encontra disponível o número 2 da fanzine "Fénix", que inclui um conto da minha autoria intitulado "Uma Demanda Literária". Para saberem como a adquirir vejam aqui.

Entretanto, no blogue jakolta já podem encontrar uma crítica a este número.

sábado, 13 de outubro de 2012

A Rosa Branca


Este é o terceiro livro da série da companhia negra e o último dos Livros do Norte. Aqui, tramas que se haviam antes tocado cruzam-se por fim, amigos reencontram-se, a história do que se passou para dar origem aos acontecimentos do primeiro livro é explicada e a "vilã" mostra que não é bem aquilo por que se tenta fazer passar.

Neste livro, mantêm-se os elementos característicos da série, sendo o mais notável o estilo narrativo e de escrita que se assemelha mais ao de um romance militar (não consegui deixar, em algumas passagens, de recordar os livros da colecção de Guerra e Espionagem da Europa América) que ao de um romance de fantasia. Mantém-se, também, a natureza cinzenta do mundo em que se passa história.

Penso que este será o livro mais imaginativo dos Livros do Norte, em particular nas passagens que descrevem as Planícies do Medo e as descrições de algumas das batalhas, que, usando apenas elementos da literatura de fantasia, nos conseguem remeter para a Guerra do Vietname. O final também merece destaque devido ao seu impacto emocional, talvez um dos mais fortes que me lembro de ler no género.

No geral, é um livro bem escrito e entusiasmante, onde se percebe perfeitamente porque Glen Cook, apesar da sua relativa obscuridade, é considerado um dos principais percursores da fantasia moderna. Recomendo vivamente a leitura deste livro (e dos restantes da série) a todos os fãs do género.

domingo, 26 de agosto de 2012

Dragonlance - Dragões de um Crepúsculo de Outono


Dragões de um Crepúsculo de Outono é o primeiro livro de uma das mais conhecidas sagas de fantasia épica de todos os tempos: Dragonlance. Só esse facto já justificaria a sua leitura, mas devo confessar que é também uma das histórias mais divertidas e entusiasmantes que li e (como a muitas outras pessoas) marcou o período da vida em que o li e a minha visão do género.

Devo ressalvar que o livro não é particularmente original e ainda o será menos para um leitor actual, pois usa quase todos os tropos e clichés que associamos com o género (aqueles que não foram retirados de outras obras escritas anteriormente foram criados aqui). Mas é a forma como estes elementos são combinados que criam uma história entusiasmante e divertida, para além de apelar ao sentimento de nostalgia de todos aqueles que cresceram com o fantástico. Se levarmos em conta a sua origem (como um tie-in para um rpg de mesa), temos aqui uma obra bastante interessante que supera de longe a maior parte dos outros livros escritos com o mesmo propósito. Aliás, atrevo-me a dizer que é devido a esta sua origem que o mundo onde a narrativa se passa é tão credível e nos envolve com tanta facilidade (afinal, à partida, num mundo criado para um rpg precisamos de muitos mais detalhes do que num criado somente para uma obra literária).

Gostaria, também, de destacar as elegantes ilustrações no início de cada capítulo, que nos ajudam a imergir na história.

Um livro puramente escapista que nos transporta eficazmente para um outro mundo repleto de dragões, anões, elfos e inúmeras outras criaturas fantásticas. Recomendo-o vivamente aos (poucos) fãs de fantasia épica que ainda não o tenham lido.

sábado, 4 de agosto de 2012

No Crepúsculo


O quinto conto no livro "A Espada de Welleran e Outras Histórias" e, infelizmente, um dos que menos gostei. Não que ache que esteja mal escrito, mas trata-se de uma história com laivos de surrealismo, género de que não sou fã, e que tornaram a história muito pouco cativante para mim. Uma pena, pois a ideia por detrás deste conto até me pareceu interessante.

Devo confessar que o estilo de escrita etéreo de Dunsany se adapta na perfeição a uma narrativa mais surrealista e adeptos do género irão certamente ficar agradados com esta história. Para mim, porém, é um dos contos mais dispensáveis do livro.

 "A Espada de Welleran e Outras Histórias" pode ser descarregado gratuitamente daqui

sábado, 7 de julho de 2012

Os Salteadores


Este é o quarto conto do livro de Lord Dunsany "A Espada de Welleran e Outras Histórias" e um dos meus favoritos deste tomo. Nesta curta história, Dunsany, no seu estilo inconfundível, consegue invocar imagens bastante vividas na mente do leitor, criando um ambiente perfeito para a narrativa. Esta, embora simples, está bem escrita, pensada e estruturada, com várias cenas memoráveis (especialmente a inicial) e entusiasmantes e um final com uma boa dose de ironia. Recomendo vivamente a sua leitura.

Este conto, juntamente com o resto da antologia, pode ser encontrada no Projecto Gutenberg em vários formatos digitais.

domingo, 3 de junho de 2012

A Jóia Encantada


Este é o terceiro livro da Trilogia das Planícies Geladas de R.A. Salvatore, onde somos levados para longe do frio do Norte para os desertos de Calimshan e o porto de Calimport. Aqui, não só temos a oportunidade de ver Drizzt e os seus companheiros num ambiente diferente do que fomos até aqui habituados, mas também visitamos a cidade de origem do halfling Regis e do arqui-inimigo de Drizzt, Artemis Entreri.

Na minha opinião, as interacções do assassino (e os seus pensamentos) num ambiente que lhe é familiar são a parte mais interessante de todo o livro. Algumas das cenas com Artemis Entreri são extremamente memoráveis, em especial as finais. Regis também desempenha um papel interessante, mas, de resto, este livro não é mais do que uma aventura tradicional de fantasia (o que não é necessariamente mal, até porque tem as fantásticas descrições de combate de Salvatore) onde são apresentadas algumas das personagens recorrentes da saga.
Calimport também merece algum destaque, pois está muito bem concebida. Sente-se mesmo que é um local perigoso, controlado pelo crime organizado.

É um livro que vale a pena ler para quem está a acompanhar a saga, mas não se encontra no meu top 5 de histórias do Drizzt, nem é, tampouco, uma leitura obrigatória para os apreciadores mais casuais.

"A Jóia Encantada" foi publicada em Portugal pela Saída de Emergência. Procurem esta capa na vossa livraria de eleição.


sábado, 2 de junho de 2012

Programa do colóquio sobre drácula e a literatura gótica já está disponível


Já está disponível o programa provisório do colóquio "Dracula and the Gothic in Literature, Pop Culture and the Arts" a decorrer no fim deste mês na Universidade do Minho. Podem encontrá-lo aqui.

sábado, 12 de maio de 2012

O Vampiro


Inicialmente atribuído a Lorde Byron, este é um conto de horror gótico escrito pelo médico pessoal dele, John Polidori. Foi concebido na Suíça nos meses de Verão de 1816 (o famoso Ano Sem Verão), onde Byron, Polidori e os seus convidados, Percy e Mary Shelley e Claire Clairmont, impedidos de sair de casa pelas fortes chuvadas, decidiram escrever histórias de terror para passar o tempo (também foi aqui que Mary Shelley, com a ajuda de Percey, começou a escrever o que se viria a tornar o famoso romance "Frankenstein").

"O Vampiro" de John Polidori, após a sua publicação em 1819, tornou-se a pedra basilar da actual literatura de vampiros, sendo frequentemente considerada a primeira história a conseguir juntar com sucesso os vários mitos de vampirismo num todo coerente. É, também, reconhecida como uma das principais fontes de inspiração de Bram Stoker.

Mesmo deixando de parte a sua importância histórica, é um conto que se lê muito bem. Está bem escrito, pensado e estruturado, e, embora a prosa usual da época fosse bastante diferente da actual, penso que as palavras e frases fluem com naturalidade uma sonoridade cativante. O enredo será, indubitavelmente, previsível para um público actual, mas o mesmo não se poderá dizer do vampiro. Este difere em vários aspectos da criatura apresentada no mito moderno do vampiro (mais influenciada pelos filmes "Nosferatu "(1922) e "Drácula"(1931) do que em qualquer obra literária).

Quer pela sua importância histórica, quer por ser realmente uma boa história, "O Vampiro" merece ser lido. Podem encontrá-lo, em inglês e formato digital, no Projecto Gutenberg.

domingo, 15 de abril de 2012

Os Parentes dos Elfos


Este é o terceiro conto incluído no livro de Lord Dunsany "A Espada de Welleran e Outras Histórias". Trata-se de uma curiosa história onde o cristianismo se mistura com o paganismo (como aconteceu durante toda a história da fantasia, se bem que é nas histórias escritas na segunda metade do século XIX e início do século XX onde se vê com mais frequência e relevo) e a imaginação do autor. Está bem contada e passa muito bem a sua mensagem, se bem que, mesmo para o seu tempo, não é particularmente original. Também notei que aqui não é tão visível o estilo de escrita quase etéreo de Dunsany, nem as descrições são tão ricas e memoráveis como noutros trabalhos que li do autor. Confesso que não fascinou tanto como o primeiro conto deste livro "A Espada de Welleran", mas é interessante o suficiente para merecer uma leitura.

Que eu saiba, nenhum dos contos deste livro está disponível em português europeu, mas as versões em inglês podem ser encontradas aqui, em formato digital.

domingo, 18 de março de 2012

A Queda de Babbulkund


Este é o segundo conto incluído no livro de Lord Dunsany "A Espada de Welleran e Outras Histórias". É uma história onde se vêem claramente as características identificativas da escrita Dunsany: uma prosa com uma sonoridade e ritmo quase etéreos e numerosas descrições maravilhosas e inspiradoras. Infelizmente, este conto pareceu-me mais fraco que o primeiro do livro "A Espada de Welleran". De facto, de todos os contos que li de Lord Dunsany, este foi o que me agradou menos. A meu ver, o problema é que a história pouco mais é que uma sucessão de descrições, com pouca acção e um desenvolvimento. Embora as descrições do deserto e, principalmente, da cidade de Babbulkund me terem fascinado, preciso que uma história tenha algo mais.

Que eu saiba, nenhuma das histórias deste livro de contos foi publicada em português europeu, mas podem encontrá-las gratuitamente em inglês aqui.

sábado, 3 de março de 2012

O Preço da Cultura

Estou neste momento à espera que abram as inscrições para um curso gratuito sobre a história de Braga. Entretanto, leio o programa cultural da cidade para este mês. Ao ver as diversas ofertas gratuitas e/ou a baixo preço, lembrei-me da recorrente queixa de que a cultura em Portugal é cara. Eu, porém, pelas experiências que tenho tido, não posso concordar. Vejamos, então:

Nos últimos três anos, assisti a dezenas de sessões gratuitas de cinema, onde se mostrou de clássicos de Hollywood a filmes independentes de todo o mundo e até um ou outro blockbuster recente.
No ano passado, entre as feiras do livro de Braga e Viana do Castelo, comprei onze livros (ficção e não ficção) e gastei apenas dezoito euros (sim, menos de dois euros por livro). Assisti ao festival internacional de música "folk", que era de entrada livre. Visitei ou revisitei mais de uma centena de monumentos nacionais (e alguns no país ao lado), muitos deles recheados com arte de diversas expressões.
E já perdi a conta ao número de exposições a que fui. Só esta semana vi três pequenas mostras de arte. E só não assisti a uma leitura de "Ifigénia em Áulis" de Euripides (também grátis) devido a uma dor de cabeça inesperada.

E estes exemplos são apenas aqueles de que me lembro neste momento. Haverá muitos outros. Isto para não falar de outros recursos culturais gratuitos, como as bibliotecas municipais ou o canal de televisão de sinal aberto rtp2 (onde passam inúmeros programas culturais, documentários, séries de qualidade e cinema de todo o mundo). E se pensar, então, em recursos online (LEGAIS) estava aqui o dia todo para listar os links.

Dados todos estes exemplos de cultura gratuita/baixo custo, não consigo, em boa fé, concordar com a ideia de que a cultura em Portugal é cara.

Mas porque subsiste, então, esta queixa? Será apenas mais uma das incontáveis queixas que as pessoas repetem sem pensar? Haverá falta de divulgação das fontes de cultura acessíveis? Terá chegado à cultura a popular, mas a meu ver falaciosa, ideia de que o preço é proporcional à qualidade? Ou os queixosos, quando pensam em cultura, lembram-se apenas dos livros/filmes/espectáculos/etc... da moda no momento (esses sim, geralmente caros) e esquecem (ou desprezam) os eventos/artistas/produtos menos conhecidos e os milénios de produção cultural a que hoje temos acesso a baixo custo?
O que acham?